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Quanto vale a vida?

A vida tem valor. Mas ela pode ser calculada pelo preço das mercadorias, da moeda corrente, do gasto diário ou de seu sentido. No trânsito circulam os que não valem nada e os que tem alto custo. Cabe saber o que dá mais prejuízo em um acidente. Socorristas do SAMU e SEATE, com apoio da Concessionária Viapar, visitaram bares e restaurantes neste domingo, ontem, dia 9, para conscientizar as pessoas dos ricos de beber e dirigir. Lembraram dos acidentes de trânsito provocados pela ingestão de bebidas alcoólicas. O socorrista do SAMU, na reportagem, relatou que só no dia em que eles estavam fazendo a conscientização já tinham socorrido dez acidentes que foram provocados por motoristas embriagados. Segundo reportagem de Luciana Peña, com socorristas do SAMU e SIATE, uma semana de atendimento de uma vítima de trânsito custa R$ 77 mil.
Quanto custa uma vida?
A resposta para esta pergunta tem duas vias. A primeira é aquela carregada de uma filosofia e sentido da existência. A percepção de viv…
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Escola: sem partido ou sem competência?

A ignorância propagada é um risco a democracia. Caso ela se instale, pode fazer da maioria ditadores insanos. A questão da "Escola Sem Partido" chega a ser irônica. Querer controlar o conteúdo na escola é incompetência dos professores e ignorância social e política. Quem elabora as leis pode não ter tido "bons" professores. Mais uma Lei da Escola Sem Partido. Se já não bastassem as discussões em âmbito nacional, com um projeto na Assembleia Legislativa do Paraná, agora brota uma lei no mesmo sentido na Câmara Municipal de Maringá. Um dos autores do projeto, o vereador William Gentil diz querer tirar o radicalismo político de sala de aula. Quando questionado pelo repórter Victor Simião sobre como ficariam as aulas de Sociologia, História e Filosofia com esta lei. O parlamentar não explicou bem, apenas disse que tem tirar o radicalismo político.
Já, o vereador Jean Marques é voto que falta para ver a legalidade ou não da medida, se o poder municipal tem ou não auto…

Aborto: ignorância e ignorantes

Inacreditável. Agora estamos andando de marcha ré. Um Projeto de Emenda Constitucional pode criminalizar abortos feitos por anencefalia, estupro ou risco de morte para a mulher. Um absurdo. Ato de um conservadorismo xiita. Típico da ignorância que desconhece os números sobre o aborto no mundo e, neste caso, principalmente no Brasil. Hoje, 1,5 milhão de mulheres abortam por ano no Brasil. As que mais abortam são de baixa renda, negras e com baixa escolaridade. Há 250 mil internações por ano pelo SUS. Aqui não se conta as clínicas particulares que não oferecem dados sobre este quesito. Uma em cada 5 mulheres entre 18 e 39 anos já fizeram aborto. Ele é mais comum do que se imagina.
O perfil de quem aborta é surpreendente diante do apelo moral que combate a prática. Mais de 75% das que abortam são cristãs. 70% tem relacionamento estável, ou seja, tem parceiro, família. Sempre se considera que aborto é coisa de adolescentes sem juízo ou que fazem uma pratica sexual livre. Mas os números a…

Educação e Agressão

Violência contra inocentes é comum, infelizmente. Grande parte das pessoas não tem coragem de enfrentar seus dilemas, transferem para o inocente e indefeso todo o seu ódio.  Em Maringá, uma professora que trabalhava em um centro de educação infantil foi afastada por maus tratos a alunos. Crianças agredidas tem uma média de idade de 4 anos. A docente, diante do comportamento indisciplinado do aluno, os levava para o banheiro, empurrava, colocava a cabeça da criança na privada e dava descarga. Estúpido, mais ainda vindo de quem devia educar.
Diante das denúncias, moradores do bairro, revoltados, dizem querer fazer a tal da “justiça pelas próprias mãos”, ou seja, agredir a professora. São bem-estes, educados por uma professora como ela, que resolvem agredir para educar, corrigir e, ou, fazer justiça. Estupidez produz estúpidos.
Este tipo de agressão promovida pela professora não é um caso isolados. Já ouvimos, vimos e lemos sobre casos semelhantes ultimamente. Quem deveria educar, prote…

Estado regula mercado

Estado regula mercado e agora quer regular os aplicativos de transporte urbano. O discurso de proteção aos taxistas é, na prática, uma forma de manter uma reserva de mercado sem resolver o problema da mobilidade urbano. No Brasil há uma tendência na defesa da proteção a mercados e garantias de negócios. Agora estamos lidando com o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 28/2017, que o Senado deve votar nesta terça-feira, de autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP). Limitando o uso de aplicativos em defesa dos taxis e seu custo elevado para grande parte da população.
Inegável que o Uber reduziu o custo de deslocamento e viabilizou um transporte com mais conforto e, mesmo, segurança para a população. A história dos riscos e do mau caráter na profissão existe em todo o lugar. A placa vermelha dos taxis não é sinônima de segurança plena.
Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui.
Porém, o elemento que busca aparentemente defender os taxis e deixar as grandes cidades brasileiras sem resp…

A lógica dos abutres

Uma proposta de país não existe no Congresso. A governabilidade se sustenta no imediatismo e sectarismo e não em um projeto nacional. Não se discute a sociedade, mas sim a viabilidade de manter-se na função. Hoje pode ser o dia que define o futuro do presidente Michel Temer. Acredito que não teremos nada de novo. Mas a prática antiga de manter-se do presidente denuncia mais uma vez a sua lógica, a dos abutres. O que se chama de “base aliada” nada mais é que aliados mercenários.
O presidente recebeu em 15 dias mais de 120 deputados. Tudo vale para aumentar o número de votos favoráveis ao parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PMDB-MG), que engaveta a acusação contra o presidente e seus sócios.
Para atingir seu objetivo o presidente distribuiu emendas, cargos, dinheiro, refis e benesses de toda a forma. O ambiente é otimista para Temer, ele deve se livrar de mais essa. O preço a ser pago, contudo, desgasta. Medidas de agrado aos aliados, alguns de última hora, outros, a maioria, m…

Casta Política

Acreditamos na representatividade, mas ela é apenas o ato da escolha do representante público. Ela não se exercita como atuação do político. A vocação do homem público se confunde e, muitas vezes, está subordinado a sua busca de se fazer na política. A profissionalização da política e suas regras de poder existem e derrubam por terra a retórica da representatividade. Não há o poder ideológico tão propagado, há a busca de manter-se na função pública para fazer carreira. Em países como o Brasil, com sua história de poder, a formação da oligarquia política exige ritual.
A carreira de um homem público deve passar pela sabatina dos acordos, da manutenção do trato entre o poder legislativo e executivo. Representar nunca estará acima de acordos que sustentam suas posições. A ascensão na carreira política em uma democracia não passa pela expressão dos interesses sociais. A manobra da função eleita em benefício de um poder que pouco representa as classes populares é prática. Para ouvir comentá…