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Mostrando postagens de Janeiro, 2013

Dilma, prefeitos e "cabos eleitorais"

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A presidente Dilma Rousseff teve ontem um encontro com os prefeitos do país. 5.563 chefes do executivo municipal foram a Brasília e receberam a notícia da generosa quantia em recursos que o governo federal pretende repassar aos municípios do país, R$ 66 bilhões e 800 milhões. O que antes era uma “Marcha a Brasília”, organizada pela Confederação Nacional dos Municípios, se transformou em um Encontro Nacional com Novos Prefeitos. O que isto significa? A presidente já tinha mudado o tom de seu discurso na semana passada, em pronunciamento nacional. Dividiu os brasileiros e afirmou que a “oposição não quer o crescimento e a distribuição de renda no país”. A prática de usar a máquina pública para campanha o seu antecessor conhecia bem. Quantas vezes Lula usou o horário em cadeia nacional, onde o presidente presta contas de seus atos à população, para fazer campanha.
No encontro com os prefeitos Dilma não foi diferente. No ano passado ela foi vaiada. O motivo foi os royalties do petróleo, …

Caos de inocência, ignorancia e má intenção

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Em Santa Maria a tragédia que matou 231 pessoas, jovens em sua maioria, estudantes universitários, é o retrato de como vivemos pelos dias. O incêndio em uma boate, na cidade gaúcha, foi provocado por um encontro desastroso entre o previsível e o imediatismo que cega. Ingredientes que se encontram e constroem o retrato do terror onde menos se espera. Podemos começar pela banda que se apresentava na casa de espetáculo e realizou um show pirotécnico, o que tudo indica, com sinalizadores. Já tinha feito antes, ninguém nunca parou o ato e o risco que ele representa. Outro responsável, os maiores, são os administradores da boate. Eles não tinham uma estrutura para combate a incêndio, saídas de emergência e pessoal preparado para reagir ao perigo. Os seguranças da boate, segundo relatos, são o maior exemplo dos despreparo. Eles não deixaram as primeiras pessoas que queriam fugir do incêndio se retirar. Será que eles não tinham a dimensão do perigo? No retrato do caos que resultou destes de…

Aparência engana

O usuário de drogas deixou de ser um elemento de fácil identificação. Ele é um ser do cotidiano, está ao nosso lado, um de nós. Caminha pelas ruas e frequenta os ambientes que frequentamos. Sua condição na vida social, na estética, é de aparência normal. Ele não seria detectado pela sua conduta profissional ou escolar, mas no ambiente doméstico. Dois pés de maconha foram encontrados pela polícia de minas gerais, um na casa de uma médica e outro com um homem de 57 anos. Tinham vidas normais, mas na vida privada saboreavam a droga. A médica justificou o nascimento da planta por acaso, já o senhor de 57 anos assumiu: "plantei por estar cansado de comprar o produto nas ruas".  85% dos consumidores de drogas são das classes A e B. Só está última é responsável pelo consumo de 70%. Há um aumento significativo de dependentes pela redução do custo do produto no mercado e pela presença das drogas em ambientes inesperados. Alguns têm em casa a matéria prima, os meios de transformação e s…

"Filhos de Sampa"

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459 anos de São Paulo. A cidade fundada pelos jesuítas foi fruto do encontro entre grupos marginais da vida colonial brasileira. O núcleo da miscigenação entre o indígena e o europeu, em sua maioria desterrados. Do encontro marginal gerou o conquistador do interior do Brasil, o bandeirante. Uma ironia que vale lembrar, a bandeira lutou contra os padres da Companhia de Jesus pelo indígena. Enquanto um queria salvar sua alma o outro desejava o corpo para o trabalho escravo. Impossível de ser dividido, o nativo sofreu pela Cruz e pela espada. A cidade que se fez o núcleo econômico brasileiro no final do século 19 e início do século 20 foi, também, sede da expansão cafeeira que modernizou a economia e atraiu o imigrante. O fluxo de imigrantes da capital paulista foi uma constante na sua formação e criação. São Paulo é filha do movimento além da Serra do Mar, chamada de muralha. A cidade se voltou para o interior, enquanto que as maiores cidades, firmadas no litoral, ficaram de costas pa…

Nosso problema particular

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O indivíduo está no centro dos problemas? Ele é o grande responsável por tudo de ruim que acontece em sua vida? Seria um exagero, a princípio, mas não é. Há problemas de saúde pública que tem o comportamento de cada um como grande responsável, a proliferação do lixo e, por consequência, o crescimento dos focos da dengue. Em outro tema, mas também com o mesmo enfoque, são as carteiras de trabalho, são mais de duas mil e quinhentas a espera de seus donos na Agência do Trabalhador. Reclama-se do desemprego, mas a carteira de trabalho continua a espera de quem pediu sua confecção. Sair da informalidade, buscar uma oportunidade melhor se qualificando, a carteira de trabalho é um documento fundamental. Ela é a garantia de comprovar um histórico profissional, mas também garantir segurança profissional. Para garantir direitos, temos que ter a carteira de trabalho. Para termos o que nos é de direito, temos que cumprir deveres. Nós somos vítimas da proliferação da dengue que não combatemos. Não e…

Quanto vale a tristeza?

O comportamento social de consumo é um dos temas mais intrigantes da sociedade atual. A relação entre a emotividade e o consumo tem se tornado um desafio para a economia pessoal, mas também para empresas e, até mesmo, governos. Consumir em excesso se torna um busca, independente do que se consome.
A relação entre emotividade e consumo não é um fenômeno novo, mas intensidade que se apresenta em nossos dias é intrigante. O culto ao bem de consumo está nos espaços onde buscamos satisfazer a nossa mais simples vontade. Seja no shopping ou no hipermercado, os objetos são os "artistas principais" que expressam perfeição. Nossas deficiências nos levam a adquiri-los para nos completar. Nossas lacunas são preenchidas pelo bem exposto nas vitrines e gôndolas de forma planejada para seduzir.
Se no passado os armazéns expunham com acaso os bens a serem vendidos, o acaso aparente dos ambientes de consumo da atualidade nada tem de coincidência, mas sim de encontros que induzem ao desejo d…

Há atos e "atos".

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O poder é estético? Acredito que boa parte do que se expressa tem que ser notado para fazer efeito. Quase todo mundo busca reconhecimento, o que em si não é um mal. Aprendemos que desde a infância a vida é feita de derrotas e vitórias, nos convencemos de nosso sucesso conforme colhemos os louros. Vale lembrar que o sucesso é um reconhecimento social e não um a soberba ou arrogância, um comportamento comum hoje em dia. Estamos infectados pela busca do "rei pó", como afirma o filósofo francês Pascal Bruckner, onde os pequenos atos se elevam para não termos que encarar nossa trajetória de detalhes. Fazer algo a mais é ir além, não desfazer o bem feito ou agir sem sentido. Quem tem um olhar mais atento sabe que se multiplicam as glórias pequenas e os grandes problemas ainda estão para serem resolvidos.  Barack Obama, presidente norte-americano, regulamentou a venda de munições e quer restringir o acesso a armamentos de grosso calibre. Uma medida necessária, mas pequena diante do p…

Ausência Sentida

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Por que a vida cansa? A morte de Walmor Chagas me faz refletir. Tudo indica que foi suicídio. Dados da família do ator leva crer que ele se suicidou em sua propriedade no interior de São Paulo, São José dos Campos, onde vivia afastado e dependendo de um grande número de pessoas para fazer as tarefas mais simples. Ele se cansou da vida por não poder mais viver? Pergunto-me qual é o limite entre continuar vivendo e viver a vida. Quantos vivem sem sentido, um dia atrás do outro? A vida tem que ter o desejo de “querer mais”. É difícil explicar, mas dá para perceber quando está dentro de nós. Um dos sintomas é que o tempo sempre passa mais rápido quando a vida tem prazer. Quando as lembranças duram mais tempo alimenta o que vem depois, independente do que seja. Porém, não se pode viver de lembranças, acredito que Walmor se cansou. A vida foi grande demais para se ter um fim pequeno. Há uma lição a se tirar no suicídio do ator que marcou o teatro e a televisão. Tem mitos que tem vida pequen…

Política e prostituição

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Hoje estava vendo deputados federais apoiarem Henrique Alves a presidência da Câmara Federal. Ele, deputado do PMDB, está sendo bombardeado com um grande número de denúncias de irregularidade com o dinheiro público. Claro que o deputado nega, sempre nega, mas nunca deixa de fazer. Mas por que fazem? A política é uma arte de favores e forças onde se unem o interesse público com a ambição, pobre ou não, do homem público. Esta relação entre o que interessa, a quem detém o poder e os interesses de quem o elegeu é íntima, por mais que aparentemente contraditória. Podemos considerar que a política se faz assim. O discurso que a encobre não. Aprendemos a moralidade lustrada com o verniz do comportamento correto. Só nos esquecemos de que este verniz não faz parte da madeira que lustra, é apenas a apresentação sem lhe dar substância. A política tem uma essência marcada pelas relações de favores onde a permanência no poder se dá com uma cadeia de relações de dependência e favorecimento, lícito e …

Quando passado condena

O ex-deputado José Borba foi condenado pela Justiça por reajustar o salário de servidores municipais de Jandaia do Sul em período eleitoral. Teria sido, segundo a interpretação da justiça, uma artimanha para favorecer o seu candidato, também seu vice-prefeito na época, Dejair Valério.
Contudo, a condenação de Borba como homem público pelo Poder Judiciário vem se acumulando, seja por processos ou por condenações. O ex-deputado amarga um currículo manchado. Uma "ficha suja".
O que não se pode negar é que Borba tem seus eleitores que lhe dão respaldo e alimentam sua vida pública, mesmo que sem lógica se formos considerar o desrespeito ao patrimônio público que o ex-deputado e ex-prefeito carrega no currículo.
Borba é uma expressão da forma de se fazer política. Um político com contatos e sem medo de se impor. Sua confiança em agir de forma irregular com tanta frequência demonstra que o ambiente lhe favorece. Isto é uma confirmação de que não está só. Ele não é uma exceção, por …