"Filhos de Sampa"


459 anos de São Paulo. A cidade fundada pelos jesuítas foi fruto do encontro entre grupos marginais da vida colonial brasileira. O núcleo da miscigenação entre o indígena e o europeu, em sua maioria desterrados. Do encontro marginal gerou o conquistador do interior do Brasil, o bandeirante. Uma ironia que vale lembrar, a bandeira lutou contra os padres da Companhia de Jesus pelo indígena. Enquanto um queria salvar sua alma o outro desejava o corpo para o trabalho escravo. Impossível de ser dividido, o nativo sofreu pela Cruz e pela espada.
A cidade que se fez o núcleo econômico brasileiro no final do século 19 e início do século 20 foi, também, sede da expansão cafeeira que modernizou a economia e atraiu o imigrante. O fluxo de imigrantes da capital paulista foi uma constante na sua formação e criação. São Paulo é filha do movimento além da Serra do Mar, chamada de muralha. A cidade se voltou para o interior, enquanto que as maiores cidades, firmadas no litoral, ficaram de costas para o Brasil.
Se parece estranho falar de São Paulo em uma cidade do interior paranaense, como Maringá, vale lembrar que nosso passado nos mostra o laço profundo com a cidade. O principal desdobramento econômico que deu origem a Maringá foi o capital paulista. A cidade dos Vidigal e Mesquista que eram os proprietários da empresa colonizadora.
Nos anos de 1960 e 1970 se traduziu a ligação com o São Paulo, tanto a cidade como o estado, pelo movimento que deseja gerar o Estado do Paranapanema ou ligar o norte do Paraná ao estado paulista. No café ou no clube de futebol, no sotaque do interior de Piracicaba, somos paulistas e a cidade de São Paulo tem muito a ver com a gente. 

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