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Caos de inocência, ignorancia e má intenção


Em Santa Maria a tragédia que matou 231 pessoas, jovens em sua maioria, estudantes universitários, é o retrato de como vivemos pelos dias. O incêndio em uma boate, na cidade gaúcha, foi provocado por um encontro desastroso entre o previsível e o imediatismo que cega. Ingredientes que se encontram e constroem o retrato do terror onde menos se espera.
Podemos começar pela banda que se apresentava na casa de espetáculo e realizou um show pirotécnico, o que tudo indica, com sinalizadores. Já tinha feito antes, ninguém nunca parou o ato e o risco que ele representa.
Outro responsável, os maiores, são os administradores da boate. Eles não tinham uma estrutura para combate a incêndio, saídas de emergência e pessoal preparado para reagir ao perigo. Os seguranças da boate, segundo relatos, são o maior exemplo dos despreparo. Eles não deixaram as primeiras pessoas que queriam fugir do incêndio se retirar. Será que eles não tinham a dimensão do perigo?
No retrato do caos que resultou destes desencontros estão os 180 corpos encontrados no banheiro. Uma pergunta que não tem resposta, ainda: por que no banheiro? Tudo isto se confunde. Mas, as pessoas que estavam na boate também não estavam preparadas. Elas eram inocentes, mas em suas vidas nunca tiveram uma orientação para os riscos que podem correr. Quantas catástrofes já aconteceram antes desta?
Aqui deixo para pensarmos um relato e um desabafo que resumem o porquê o fato ocorre e a dimensão e consequências. Relatos dos membros da brigada militar que entram na boate, e no banheiro se depararam com corpos empilhados. Segundo relatos, o choque era ouvir os celulares tocarem. Um dos membros da brigada militar que pegou o celular do bolso de um jovem morto, tinha mais de 100 ligações identificadas com o nome “mãe” Em entrevista, indagado se faltavam leis para controlar estes eventos, para garantir segurança, o capitão Edi Garcia afirmou: “no país há leis, mas não são cumpridas”.
Assim se fez a desgraça, muitas, não só esta, do encontro entre a inocência, a ignorância e o interesse mesquinho de se dar bem, sem promover o bem. 

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