Pular para o conteúdo principal

Dilma, prefeitos e "cabos eleitorais"


A presidente Dilma Rousseff teve ontem um encontro com os prefeitos do país. 5.563 chefes do executivo municipal foram a Brasília e receberam a notícia da generosa quantia em recursos que o governo federal pretende repassar aos municípios do país, R$ 66 bilhões e 800 milhões. O que antes era uma “Marcha a Brasília”, organizada pela Confederação Nacional dos Municípios, se transformou em um Encontro Nacional com Novos Prefeitos. O que isto significa?
A presidente já tinha mudado o tom de seu discurso na semana passada, em pronunciamento nacional. Dividiu os brasileiros e afirmou que a “oposição não quer o crescimento e a distribuição de renda no país”. A prática de usar a máquina pública para campanha o seu antecessor conhecia bem. Quantas vezes Lula usou o horário em cadeia nacional, onde o presidente presta contas de seus atos à população, para fazer campanha.

No encontro com os prefeitos Dilma não foi diferente. No ano passado ela foi vaiada. O motivo foi os royalties do petróleo, em que a presidente não quis discutir a distribuição dos recursos entre os prefeitos. Agora, ontem, Dilma foi aplaudida, ela está “generosa”. O que ela quer?
A resposta é simples, mais do que ajudar os municípios, o que é necessário, ela quer ampliar suas bases para sua candidatura à reeleição em 2014. No ano da Copa, Dilma quer o "título". Seu partido, o PT, foi o que mais ampliou as bases nos municípios nas últimas eleições. Agora, isto precisa chegar às cidades que o Partido dos Trabalhadores não domina. Assim, nada melhor do que a distribuição de recursos.
A presidente tem, no caminho para chegar ao seu objetivo, dois obstáculos. O primeiro são os candidatos que devem ser lançar para concorrer com ela; o segundo está dentro do próprio partido, o seu antecessor tem forças partidárias que o quer de volta ao Planalto. Lula se recuperou de um câncer e tem gosto pelo poder, o que é um ingrediente perigoso. Mas, pelo que tudo indica, Dilma está disposta a enfrentar os inimigos, por mais que íntimos. Os prefeitos podem ser uma peça importante no seu jogo para permanecer na presidência.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Formação do Estado Nacional Moderno

A formação do Estado Nacional Moderno é um dos momentos mais importantes da consolidação da sociedade e da economia contemporânea. As organizações do poder nos territórios nacionais estabilizaram as relações econômicas e garantiram o estabelecimento da sociedade com a representação do poder no poder estabelecido no território nacional. Max Weber em especial tinha interesse significativo na formação do Estado Nação. A Alemanha, sua terra natal e na qual ele acompanhou a unificação dos estados germânicos, foi seu objeto de estudo e estímulo para a compreensão da política, da lógica econômica e a sociedade em relação ao poder. Uma das primeiras questões tratadas por Weber foi a questão da liderança. O que ela significa e como pode ser compreendida no exercício do poder no Estado Nacional. Por isso, ele considera que ela deve ser entendida na construção das relações sociais. Há uma herança no poder, fruto das condições que o construíram e como ele se consolida diante da sociedade sua au…

Um pouco de teoria do Estado, Política e Economia

Saber fazer política é conhecer suas teses. Para a crítica ou defesa da ação do Estado, avaliar aqueles que ocupam os cargos públicos, os representativos em especial, é fundamental. Estamos vivendo um ambiente político crítico. O presidente da república é impopular. Menos de 5% da população consideram seu governo “ótimo”. Menos de 7% o aprovam como governante. Mas ele se mantém. Seria possível fazer da lógica de Nicolau Maquiavel um instrumento para entender a permanência de Michel Temer no poder? Acredito que sim. A primeira coisa a entender é que não está na popularidade ou não do presidente a sua sustentação. Outras forças conspiram a favor do governante. E uma das mais importantes são seus acordos políticos com o Parlamento, em especial o Congresso Nacional. O esforço do governante e ver aprovada suas medidas e evitar seu julgamento pela Câmara dos Deputados foram bem-sucedidas.  Os acordos políticos, repasses de verbas, nomeações de cargos e, possíveis ações encobertas, mantiver…

O poder no Brasil

Por que não aprendemos a lição? Quando se fala de política a razão é simples, nós estamos atentos aos personagens e ao momento. Temos que ficar mais atentos a lógica do poder. Há uma relação constituída de forma tradicional que garante a tendência do poder para determinados fins e grupos.

Assistindo as denúncias que tomam conta dos meios de comunicação sobre políticos envolvidos em corrupção, mas principalmente com “caixa 2”, temos a oportunidade de aprender a lógica da sustentação do poder. Mas será que conseguimos perceber diante da oportunidade?
No Brasil, a constituição do Estado se estabelece na própria formação do território colonial. Lá, nos primórdios do estabelecimento da estrutura colonizadora se dava os primeiros passos para alicerçar o poder. Isto se deve, em grande parte, pela forma como nossa “emancipação” se estabeleceu. D. Pedro I era filho do D. João VI. O primeiro imperador do Brasil foi ser rei em Portugal.
Na independência monárquica que o país viveu se estabelece…