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Política e prostituição


Hoje estava vendo deputados federais apoiarem Henrique Alves a presidência da Câmara Federal. Ele, deputado do PMDB, está sendo bombardeado com um grande número de denúncias de irregularidade com o dinheiro público. Claro que o deputado nega, sempre nega, mas nunca deixa de fazer. Mas por que fazem?
A política é uma arte de favores e forças onde se unem o interesse público com a ambição, pobre ou não, do homem público. Esta relação entre o que interessa, a quem detém o poder e os interesses de quem o elegeu é íntima, por mais que aparentemente contraditória. Podemos considerar que a política se faz assim. O discurso que a encobre não.
Aprendemos a moralidade lustrada com o verniz do comportamento correto. Só nos esquecemos de que este verniz não faz parte da madeira que lustra, é apenas a apresentação sem lhe dar substância. A política tem uma essência marcada pelas relações de favores onde a permanência no poder se dá com uma cadeia de relações de dependência e favorecimento, lícito e ilícito. 
Gostaríamos que não fosse assim, mas há outra forma: Se existe está mais em nossa busca ideal do que nas condições reais que forma o poder. A prática nociva da vida pública se sustentabilidade da própria miséria que permite o favorecimento. Se beneficiando de votos que igualizam o culto e o inculto, o eleitor na busca de uma carência imediata e aquele com um projeto político claro, ideológico como dizem alguns, traçam a desigualdade necessária para justificar a democracia entre os "iguais".
Mas no mar da mediocridade da política dos favores pequenos, houve uma fala grande que veio de quem pouco se espera. Jean Wyllys, ex-BBB, defendeu a legalização da prostituição como profissão e usou um argumento fantástico, afirmou que 60% dos deputados usam os serviços das prostitutas. Sua sinceridade foi mais longe, afirmou que a sociedade que gera e prolifera a prostituição contraditoriamente a condena.
A lógica defendida por Wyllys para defender a prostituição serve para explicar a política. Muitos homens públicos, talvez, também, na mesma proporção dos que usam os serviços das prostitutas, tem em suas práticas o mesmo interesse. Contudo, na razão inversa de quem serve e de quem é servido.

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