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Há atos e "atos".


O poder é estético? Acredito que boa parte do que se expressa tem que ser notado para fazer efeito. Quase todo mundo busca reconhecimento, o que em si não é um mal. Aprendemos que desde a infância a vida é feita de derrotas e vitórias, nos convencemos de nosso sucesso conforme colhemos os louros. Vale lembrar que o sucesso é um reconhecimento social e não um a soberba ou arrogância, um comportamento comum hoje em dia.
Estamos infectados pela busca do "rei pó", como afirma o filósofo francês Pascal Bruckner, onde os pequenos atos se elevam para não termos que encarar nossa trajetória de detalhes. Fazer algo a mais é ir além, não desfazer o bem feito ou agir sem sentido. Quem tem um olhar mais atento sabe que se multiplicam as glórias pequenas e os grandes problemas ainda estão para serem resolvidos. 
Barack Obama, presidente norte-americano, regulamentou a venda de munições e quer restringir o acesso a armamentos de grosso calibre. Uma medida necessária, mas pequena diante do problema da violência nos Estados Unidos. Muitos perderam o sentido do limite entre a angústia pessoal e a culpa social.
Minha tristeza e infelicidade são minhas, o outro não é responsável pela minha frustração, pelo menos na maioria das vezes. As chacinas que assistimos, com o extermínio de dezenas de inocentes por um matador sem ficha na política, estão virando um fato comum. Tratar desta questão que afeta muitos é um desafio imenso, mesmo para o homem mais poderoso do mundo.
Vale lembrar, para entendermos melhor esta questão, o quanto o apelo individual cresceu. A particularização dos desejos, soluções e problemas estão se transformando na fórmula para tratar de questões que devem ser entendidas pela sua dimensão social. Na atualidade, amenizamos os dilemas coletivos analisando-os pela lógica da "crise existencial". A propaganda, o filme, a reportagem e o romance são meios de divulgar o papel que o indivíduo exerce na sociedade. Acabamos por propagar a ideia de que basta a vontade de um ser para que a humanidade "estremeça".
A lógica do autista virou uma certeza coletiva, meu desejo deve imperar. Nada pode contrariar a supremacia do ser único. Mas a ironia e contradição deste princípio esta nas relações que produzem as nossas vidas e na razão que gera nossa civilização: dependemos cada vez mais de uma coletividade que supera as fronteiras da cidade, estado, região, país e continente. Somos cada vez mais mundiais.
Somos dependentes das relações planetárias, este é o elemento condutor de nossas vidas. Não considerar este princípio como ponto de partida para entender a particularidade é viver de migalhas sem construir para buscar uma resposta para os grandes problemas. Por isso, a aparência de quem tem poder vale mais que a razão lógica que sua autoridade deveria exercer. A política virou um faz de contas e denuncia a miopia que afeta o olhar da humanidade.
  

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