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Nosso problema particular


O indivíduo está no centro dos problemas? Ele é o grande responsável por tudo de ruim que acontece em sua vida? Seria um exagero, a princípio, mas não é.
Há problemas de saúde pública que tem o comportamento de cada um como grande responsável, a proliferação do lixo e, por consequência, o crescimento dos focos da dengue. Em outro tema, mas também com o mesmo enfoque, são as carteiras de trabalho, são mais de duas mil e quinhentas a espera de seus donos na Agência do Trabalhador. Reclama-se do desemprego, mas a carteira de trabalho continua a espera de quem pediu sua confecção.
Sair da informalidade, buscar uma oportunidade melhor se qualificando, a carteira de trabalho é um documento fundamental. Ela é a garantia de comprovar um histórico profissional, mas também garantir segurança profissional. Para garantir direitos, temos que ter a carteira de trabalho. Para termos o que nos é de direito, temos que cumprir deveres.
Nós somos vítimas da proliferação da dengue que não combatemos. Não evitamos a propagação dos focos. O lixo é um pré-requisito de terrenos onde a água empossa e as larvas se proliferam. Contudo, acreditamos que ao ser descartado o lixo e sair de nossas vistas ele desaparece com um “passe de mágica”. Um raciocínio infantil, mas que nos custa caro. Nosso mundo de detalhes se tornou o sentido de todo uma vida. Uma busca pequena que não considera as consequências dos atos individuais. Porém, esta lógica se prolifera e o cada um por si é o ato comum de todos nós.
Voltando de onde começamos, o indivíduo está no centro de todos os males, mas ele é o autor do mal maior. Porque em nossa construção da vida diária anula as possibilidades de resolver problemas pequenos que acumuladis se transformam em monstros. A criatura se volta ao criador. Lamentável não nos reconhecermos em nossa criação. Este é o nosso maior desafio. 

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