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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Suicídio emocional do consumo

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Consumir é um ato econômico, mas o sentido pode ser outro. Uma pesquisa do SPC Brasil (Sistema de Proteção ao Crédito) demonstra que a maioria dos consumidores brasileiros compra por impulso. 85% dos entrevistados admitiram ter perdido a razão e feito uma compra movidos pela emoção. A ansiedade e falta de autoestima é o que justifica a maior parte dos atos de aquisição pelo coração.
Mas dependendo da renda o impulso muda. Para os mais abastados, as classes A e B, comprar é uma questão de satisfazer o prazer da festa, do jantar, da viagem. Os excessos estão quase sempre ligados a um evento.A satisfação da materialidade prazerosa que pode, depois de passar a embriaguez, ser marcada por uma ressaca com forte dor de cabeça.
Para os menos abastados o motor emocional do consumo é outro, a angústia e a falta de autoestima. Ser e não gostar do que se é impulsiona os emergentes. Se sentir feio e querer se aceitar, para isso, segundo a pesquisa, as classes C e D tem como solução comprar, comprar…

Diário dos mortos

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Em Apucarana os Diários Oficiais do município foram enterrados com os defuntos. Os funcionários da funerária admitiram que a prática era comum. O jornal era usado para acomodar os cadáveres no caixão. Os mortos levaram consigo as informações que eram para os vivos. Se enterrou as irregularidades, possivelmente porque os mortos não denunciam. Se teme a consciência dos vivos.
O prefeito anterior, acusado de ser o responsável pela prática, não quer falar. Possivelmente, depois da descoberta de seu ato fúnebre preferia estar morto. Ele gostaria de ver o assunto enterrado com os Diários.
O ato é torpe, no mínimo insano, mas pode não ser incomum. Se livrar de provas é para muitos a forma de ver encoberto o lado podre da gestão pública. A maneira como a prática se apresenta denuncia o grau de irregularidade cometida. Impressiona ter como fato que o responsável pelo enterro dos Diários Oficiais tenha sido escolhido pelo voto. Uma distância imensa entre o que se apresenta como candidato e as p…

O não trabalho

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O excesso de estado atrapalha a vida, quando usado, as vezes cria vícios. Esta é minha opinião sobre o que está acontecendo em boa parte da Europa Ocidental hoje. Os países de uma das mais fortes economias do mundo tem seus banqueiros com cofres abarrotados de dinheiro, mas que não investem em seu próprio território.
A lógica de quem ganha dinheiro é aumentar cada vez mais seu capital. Bancos investem em economias seguras e que rendam algo mais que a quantia aplicada. A Europa não tem sido este lugar. Os países emergentes sim. Brasil, China, Índia e Rússia são territórios onde "bons negócios" surgem. Contudo, não causam um efeito benéfico se não forem bem administrados.
Dinheiro não é tudo, mas é o meio para se alcançar a condição necessária de sobrevivência para a maioria. A forma como é usado pode definir em um futuro de médio e longo prazo o destino de toda uma sociedade. Temos que incentivar o mercado, temos que promover a produção de riqueza e qualificar, principalmente…

O "Eu" contra o ditador da manada

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Yoani Sánchez se transformou em um problema. Ela é apenas uma blogueira. Contudo, não se avalia o tamanho do estrago pelo agente que causa e sim pelo ambiente onde ele está inserido. No Brasil temos internautas que utilizam a rede e fazem denúncia em seus sites e blogs. Tudo bem que eles não são muitos, mas podem ser considerados importantes para a democracia, nem por isso são uma ameaça. O caso de Sánchez pode ser entendido desta forma. Ela vive em um regime ditatorial que controla a vida de todos e impõe sobre cada um as amarras. Em Cuba se amputa os instrumentos de libertação para evitar que ele se transforme em um meio de denunciar as contradições de quem está no poder. Não foi assim que os cubanos fizeram uma revolução em 1959, mas é assim que os que se colocaram à frente da causa se mantêm no poder. A ironia das condições de Sánchez acaba por denunciar nossas contradições. Uma delas está nas manifestações contra a presença da dissidente cubana. Jovens que se dizem de esquerda co…

Saúde de remendos

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Não há nada que caracterize mais a colcha de retalhos da realidade brasileira do que a distribuição de médicos pelo país. Um estudo da Demografia Médica denuncia a má distribuição dos profissionais pelo território brasileiro. Também demonstra a limitação de médicos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A média é calculada na proporção de médicos para cada mil habitantes. Na rede pública, o número de profissionais é de 1,11 para cada 1.000, considerando os médicos que atuam na rede privada o índice dobra, 2,04. As regiões mais pobres apresentam percentuais dos países africanos. No Maranhão, por exemplo, o número de médicos da rede pública é de 0,71, no Pará é de 0,84. Enquanto isso, no Distrito Federal dobra, chega a 1,72 e no Rio de Janeiro é de 1,58. Uma desigualdade gritante. As capitais do Sul e do Sudeste concentram a grande maioria dos profissionais, se levarmos em conta a proporção de médicos para cada mil habitantes. Nelas estão os centros de formação. Também é lá q…

Nobres, castas em plena democracia

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Há uma casta no país, e ela é a classe política. Isto é inegável. Nas sociedades feudais do mundo medieval europeu as castas eram uma condição determinada por uma compreensão divina da ordem social. Fundada em relações de obrigações recíprocas entre dominantes e dominados. Ela definia a existência do nobre e da plebe. A casta dominante, a nobreza, herdava as terras, se estabelecia sobre um código de honra que lhe impunha uma ética. Poderia não ser obedecida por alguns, mas justificava e dava sentido a função de muitos dos chamados “senhores feudais”. Os senhores de terra tinha na tradição uma das lógicas de sustentação do seu poder hereditário. Em plena democracia nós também temos os nossos “nobres”. Nossas castas que se estabelecem “eternas”, como as hereditárias da nobreza tradicional do medievalismo europeu. Também, em alguns casos, são senhores de terra e tem seu quinhão de servos. O sentimento de serem inabalados como os nobres tradicionais é idêntico. Como se nada pudesse tirá…

Sonho e pesadelo na infância

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Uma em cada três pessoas realizaram o seu sonho de infância, pelo menos no que diz respeito a escolha profissional. O dado é de uma pesquisa do LinkedIn. No levantamento, as profissões de maior prestígio na infância entre os homens é a engenharia e entre as mulheres a educação. Especialistas ligados a Rede Social justificam as escolhas dos profissionais pelas brincadeiras, Lego e Polly para os meninos e brincar de escola para as meninas. A pesquisa é uma demonstração do que ganha valor e se confirma, mas também do que perde valor e se deteriora. Muitas experiências que adquirimos na infância consolidam nosso interesse por determinada profissão, mas, também, fazem com que percamos por outras. Com a maturidade, algumas atividades profissionais estão associadas a desvalorização, ao escárnio. Se a engenharia se confirma como uma atividade profissional de relevância, e o dia a dia tem demonstrado isso, a docência ganha ar pejorativo. Se há orgulho, ele vem da experiência resistente de in…

Rituais de valores tolos

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As mortes em acidentes na região Noroeste do Paraná, até este momento do Carnaval (11 de fevereiro de 2013), foi de seis, segundo dados da CBN e Gazeta Maringá. Os números já superam os do ano passado em todo o Carnaval. Jovens são as principais vítimas. O que este fato demonstra é apenas a continuidade de uma história nas rodovias brasileiras que tem números alarmantes.
Em 2010, um levantamento do Ministério da Saúde, com dados levantados das Polícias Rodoviárias Federal e Estaduais, além dos municípios, apontou que o registro de 40,1 mil mortos em acidentes de trânsito. Em sua maioria jovens (85%). Do total de mortos em acidentes, 25% tinham consumido bebida alcoólica pouco antes de dirigir.
Ao compararmos os números de acidentes de trânsito no Brasil, em um ano, com os Estados Unidos, temos a dimensão da violência nas estradas. Os norte-americanos registraram 40 mil mortes em acidentes rodoviários em 10 anos (2000 a 2010). Ou seja, nós temos mais mortes em um do que os Estados Unid…

O preço da festa

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Agora a pouco lia sobre o patrocínio que tem sustentado os desfiles das escolas de samba. O custo, a cada ano, para que passe na Marquês de Sapucaí é de R$ 5 a R$ 10 milhões. O que inviabiliza a festa para escolas tradicionais como a Portela, a beira da falência.
Os carnavalescos temem que os patrocínios tirem a originalidade e escolha independente dos enredos, o que não estão errados. Mas há como ser diferente? Não. Investidores querem multiplicar seu lucro e participação no mercado. Patrocinar uma escola de samba é querer associar todo o possível com a marca da empresa. Não é por acaso que a Volkswagen investiu no carnaval da Unidos da Tijuca depois que a escola resolveu homenagear o Ano da "Alemanha no Brasil".
O que fez e faz o desfile das escolas de samba um evento mundial é a capacidade de se manter como um espetáculo, mas para isso há um elevado custo de organização. Profissionais, matéria-prima, tecnologia, logística, enfim, tudo o que é necessário para se realizar a…

Google+ é "compra casada"

A rede mundial de computadores é um campo de disputa de empresas como Microsoft, Apple, Google, Facebook , etc. A luta por um espaço de destaque na web aceita toda e qualquer estratégia. A vitória não tem preço. Vale, inclusive, disfarçar o crescimento associando o prestígio de uma “ferramenta irmã”. Assim se pode entender a ascensão do Google+ no ano passado (2012), chegando a 62 milhões de usuários.
Se você é um usuário do Gmail e tem um blog na web, no sistema blgspot, terá que ter uma conta no Google+. Cercado, o internauta se vê com um perfil na página social. Isto não é uma escolha, é uma imposição. Não afeta ninguém, mas incha os números e disfarçam a chamada “cidade fantasma” da net como se ela fosse um desejo coletivo.