Pular para o conteúdo principal

O "Eu" contra o ditador da manada


Yoani Sánchez se transformou em um problema. Ela é apenas uma blogueira. Contudo, não se avalia o tamanho do estrago pelo agente que causa e sim pelo ambiente onde ele está inserido. No Brasil temos internautas que utilizam a rede e fazem denúncia em seus sites e blogs. Tudo bem que eles não são muitos, mas podem ser considerados importantes para a democracia, nem por isso são uma ameaça.
O caso de Sánchez pode ser entendido desta forma. Ela vive em um regime ditatorial que controla a vida de todos e impõe sobre cada um as amarras. Em Cuba se amputa os instrumentos de libertação para evitar que ele se transforme em um meio de denunciar as contradições de quem está no poder. Não foi assim que os cubanos fizeram uma revolução em 1959, mas é assim que os que se colocaram à frente da causa se mantêm no poder.
A ironia das condições de Sánchez acaba por denunciar nossas contradições. Uma delas está nas manifestações contra a presença da dissidente cubana. Jovens que se dizem de esquerda consideram que a presença dela não é bem vinda e que ela mente. Eles gritam que Yoani é um instrumento de manobra contra o regime cubano dos irmãos Castro. Grupos ligados a CUT, PCdoB e PT fazem a maior parte do coro contra a jovem caribenha.
Por que jovens que deviam defender a liberdade de expressão pedem o silêncio? Isto deveria ocorrer em plena democracia que vivemos? Acredito que a resposta para as duas questões são diferentes. Para a primeira a resposta é intolerância; para a segunda é simplesmente não. Enquanto a democracia tolera a intolerância, as ditaduras se alimentam dos extremismos. Quem consegue defender a liberdade sabe que ela está ameaçada a todo o tempo, por isso mantê-la é uma luta constante.
Não percebemos que estamos vivendo o retorno dos radicalismos, alguns com roupagens antigas, mas não podem ser confundidos com as lembranças que trazem. Se a os movimentos de esquerda já foram defensores da liberdade, hoje querem ceceá-la. O que se combatia pela bandeira da democracia, hoje é uma ameaça à liberdade.
Os manifestantes do radicalismo, em sua maioria, desconhecem a causa que defende e tem uma visão precária das propostas que gritam. E é exatamente por isso que estão ali. A falta de inteligência faz movimentar seres humanos como em bandos, manadas, guiadas por um ditador, um “senhor de nós”, eles se irritam quando alguém se desgarra e denuncia a evolução que nos diferencia dos animais.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Paraná não é Maringá

Alimento pela cidade que eu nasci um imenso carinho. Maringá é uma cidade que se fez e se faz. Há realmente um espírito associativo. Ele é ligado ao meio privado, empresarial. Isto é fato. Mas tem um estímulo de organização e representação eficiente. O que faz de Maringá uma cidade diferente. E ela é. Em diversos índices a cidade está entre as melhores do país. Potencial de consumo, o qual é retratado pelo Anuário a Grande Região de Maringá, divulgado a cada dois anos pelo Grupo Maringá de Comunicação. Ele comprova isso. Os dados são levantados pelo IPC Maps. Lembrando que o Produto Interno Bruto da cidade cresce mesmo quando o país não.
O Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, o Codem, tem investido no planejamento em longo prazo. Agora, o Masterplan aponta para um crescimento até 2047, quando a cidade irá fazer 100 anos. Até agora, o planejamento teve um investimento de R$ 1,5 milhão. E vale a pena. Há muito mais por vir. E ele não tem custo para o poder municipal. O qua…

STF pode fazer justiça e ser inconstitucional

Não se pode ser ingênuo. O país vive uma legislação apartada da população. Para quem a lei vale? Não para todos. E se vale, as brechas na lei somente para alguns. A defesa dos réus permite a liberdade de quem pode recorrer. O julgamento do ex-presidente Lula não é um caso isolado, tem que ser entendido na histórica desigualdade de tratamento pelo poder em relação ao cidadão. A Constituição Federal, humana, permite desumanidades. No país teve inúmeras manifestações contra o ex-presidente Lula, na defesa da prisão em segunda instância e em defesa da Lava-Jato. O país clama por justiça. Mas o que é justo? Quando se pensa na corrupção dos homens públicos e os que deveriam ser presos a injustiça é maior. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. O dinheiro desviado por corrupção tira dos cofres públicos recursos vitais para salvar da miséria e da marginalidade muitos. Destes, os que acabam se transformando em bandidos e são presos sem dinheiro para recorrer a todas as instâncias. Q…

Conservadorismo não é nazismo

Vivo em defesa do bom liberalismo e dos bons conservadores. Me incomoda profundamente um país que confunde conservadores com extremismo e neonazismo. Esta defesa do extermínio, da perda de liberdade, da violência que combate a violência. Nada disso tem relação com a conservação das instituições, das leis e da liberdade. Há uma confusão entre a preservação das instituições e o radicalismo que prega o extermínio da oposição ou de tudo o que se opõe. Na limitação de compreender a dinâmica do poder e que fundamenta nossas mazelas, há os radicais que consideram a destruição a melhor saída. Não é! A ousadia é mudar dentro do que se tem de mais precioso, a democracia.
Incrível perceber que radicais desejam o retorno da ditadura. Ao mesmo tempo há os que defendam a eliminação dos políticos de esquerda e, outros, até da própria esquerda. A implantação de um governo autoritário é típica da pobreza submissa do latino-americano. Faz parte das raízes de um continente governado por caudilhos, noss…