Rituais de valores tolos

As mortes em acidentes na região Noroeste do Paraná, até este momento do Carnaval (11 de fevereiro de 2013), foi de seis, segundo dados da CBN e Gazeta Maringá. Os números já superam os do ano passado em todo o Carnaval. Jovens são as principais vítimas. O que este fato demonstra é apenas a continuidade de uma história nas rodovias brasileiras que tem números alarmantes.
Em 2010, um levantamento do Ministério da Saúde, com dados levantados das Polícias Rodoviárias Federal e Estaduais, além dos municípios, apontou que o registro de 40,1 mil mortos em acidentes de trânsito. Em sua maioria jovens (85%). Do total de mortos em acidentes, 25% tinham consumido bebida alcoólica pouco antes de dirigir.
Ao compararmos os números de acidentes de trânsito no Brasil, em um ano, com os Estados Unidos, temos a dimensão da violência nas estradas. Os norte-americanos registraram 40 mil mortes em acidentes rodoviários em 10 anos (2000 a 2010). Ou seja, nós temos mais mortes em um do que os Estados Unidos em uma dez.
As guerras também podem ser um parâmetro para a nossa violência no trânsito. A guerrilha colombiana, em 43 anos, aniquilou 43 mil pessoas. Se somarmos os anos da guerra do Vietnã (1957 a 1973), as mortes de combatentes por ano é menor do que o trânsito brasileiro. O que preocupa, ainda, nas estatísticas é que não se contabiliza os que vão à óbito dias depois do acidente por causa dos ferimentos.
Na violência do trânsito há dados importantes a serem considerados. A maioria dos acidentes ocorre nos finais de semana ou feriados. Os que se envolvem, na sua maioria, não tem a prática de dirigir em rodovias e são jovens. Destes, há uma relação direta com o consumo de bebidas alcoólicas.
Em todas as civilizações há os rituais de passagem. Quando os jovens buscam o reconhecimento de sua maturidade participando de atos de bravura, nos quais conseguem o respeito dos demais membros da sociedade. Que ato de bravura há em um abuso no trânsito? Nenhum. Mas há o culto ao automóvel e a bebida. Estes símbolos de independência e força são cultuados pela grande maioria da sociedade. Temos que lembrar, também, que dentro do ambiente doméstico se inicia o desejo por esta combinação perigosa que se fortalece nos postos de combustíveis. Lá, a bebida, carro e moto se encontram em um ritual de perigo.
A conclusão é simples, mas deveria ser assumida por todos, o culto ao automóvel e a bebida tem seu preço, e estamos pagando por ele.

Comentários

  1. O que mais me impressiona é o culto a bebida, essa associação da bebida com diversão... Quem disse que para se divertir precisa beber cerveja?
    Até quando as autoridades vão deixar que esses comerciais de TV induzam os jovens a beberem para se divertir???
    É igual ao que acontecia com o cigarro. Antes era bonito, graças aos comerciais, "venha para o mundo de Malboro...", hoje o comercial é proibido e existe campanha ante tabagismo.
    Com a cerveja, que é o início de todas as bebidas alcoólicas, fazem o mesmo que faziam com o cigarro, exibindo campanhas na praia, rodeados de amigos, gente bonita etc...
    Meu Deus!!!

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