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Saúde de remendos


Não há nada que caracterize mais a colcha de retalhos da realidade brasileira do que a distribuição de médicos pelo país. Um estudo da Demografia Médica denuncia a má distribuição dos profissionais pelo território brasileiro. Também demonstra a limitação de médicos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A média é calculada na proporção de médicos para cada mil habitantes. Na rede pública, o número de profissionais é de 1,11 para cada 1.000, considerando os médicos que atuam na rede privada o índice dobra, 2,04.
As regiões mais pobres apresentam percentuais dos países africanos. No Maranhão, por exemplo, o número de médicos da rede pública é de 0,71, no Pará é de 0,84. Enquanto isso, no Distrito Federal dobra, chega a 1,72 e no Rio de Janeiro é de 1,58. Uma desigualdade gritante.
As capitais do Sul e do Sudeste concentram a grande maioria dos profissionais, se levarmos em conta a proporção de médicos para cada mil habitantes. Nelas estão os centros de formação. Também é lá que os médicos permanecem depois de formados ou tem como destino para atuar profissionalmente. São poucos os que retornam para a cidade de origem.
Qualidade de vida, oportunidade profissional e renda são fatores determinantes para que a desigualdade exista. O número de médicos no país, diga-se de passagem, é considerado satisfatório. Eles só não estão disponíveis para todos. São benefícios de uma vida prática que na lei que prega a igualdade não se realiza. Um reflexo de um país desigual desde sua nascença e que, ao que tudo indica, ainda não conseguiu resolver seu principal problema, a distribuição de renda.
Nas condições em que a economia mundial se desenvolve esta realidade irá expandir se o poder público não agir. Mas qualquer ação que seja apenas em incentivos aos médicos atuarem em regiões de baixa renda, distantes dos grandes centros, será inócua se não for acompanhada de uma política de desenvolvimento regional.
A doença é um reflexo de um organismo debilitado. O país já esta doente há muito tempo. A desigualdade que a distribuição de médicos denuncia demonstra a convivência possível dentro de um mesmo território nacional do viável e inviável. Do certo e do incerto. O saneamento básico, a educação, por conseqüência a qualidade de vida e o trabalho, antecipam a propagação de doenças. Não é coincidência que estas condições tenham uma distribuição desigual semelhante a dos médicos.

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