O preço da festa

Agora a pouco lia sobre o patrocínio que tem sustentado os desfiles das escolas de samba. O custo, a cada ano, para que passe na Marquês de Sapucaí é de R$ 5 a R$ 10 milhões. O que inviabiliza a festa para escolas tradicionais como a Portela, a beira da falência.
Os carnavalescos temem que os patrocínios tirem a originalidade e escolha independente dos enredos, o que não estão errados. Mas há como ser diferente? Não. Investidores querem multiplicar seu lucro e participação no mercado. Patrocinar uma escola de samba é querer associar todo o possível com a marca da empresa. Não é por acaso que a Volkswagen investiu no carnaval da Unidos da Tijuca depois que a escola resolveu homenagear o Ano da "Alemanha no Brasil".
O que fez e faz o desfile das escolas de samba um evento mundial é a capacidade de se manter como um espetáculo, mas para isso há um elevado custo de organização. Profissionais, matéria-prima, tecnologia, logística, enfim, tudo o que é necessário para se realizar a "tradicional" festa carregada de inovação. Os mecanismos dos carros alegóricos e coreografias surpreendentes encantam, e o custo vai para as nuvens.
Para tudo há um preço. Seria ingenuidade considerar que podemos livrar um evento da magnitude do Carnaval de uma lógica de mercado eficiente. Uma possibilidade inteligente de sobrevivência em que o marketing é uma de suas expressões. Considero fundamental entender que a associação do glamour ao mercado é bem mais antiga do que o desfile das escolas de samba no Brasil.
Melhor ter a economia de mercado e as grandes empresas patrocinando o Carnaval do que conviver com os subsídios dos bicheiros e do tráfico de drogas. Estes determinavam bem mais que o enredo, a submissão e subtração da liberdade das comunidades que constroem o carnaval.

Comentários

  1. Abrir mão do espetáculo seria esquecermos nossa história, nossa cultura. Entretanto, penso que a essência do espetáculo está se perdendo, dando lugar para uma competição milionária (subsidiada inclusive pelo governo), dinheiro esse que poderia ter melhor aplicação. Por outro lado, devemos lembrar que esse espetáculo provavelmente movimenta mais dinheiro do que o gasto com ele, e isso é um ponto positivo. Portanto, concordo com sua opinião Prof. Gilson. Já que não podemos usar esse dinheiro para algo mais proveitoso, pelo menos que tenha origem de empresas sérias, e destino no nosso próprio mercado.

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