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Sonho e pesadelo na infância


Uma em cada três pessoas realizaram o seu sonho de infância, pelo menos no que diz respeito a escolha profissional. O dado é de uma pesquisa do LinkedIn. No levantamento, as profissões de maior prestígio na infância entre os homens é a engenharia e entre as mulheres a educação. Especialistas ligados a Rede Social justificam as escolhas dos profissionais pelas brincadeiras, Lego e Polly para os meninos e brincar de escola para as meninas.
A pesquisa é uma demonstração do que ganha valor e se confirma, mas também do que perde valor e se deteriora. Muitas experiências que adquirimos na infância consolidam nosso interesse por determinada profissão, mas, também, fazem com que percamos por outras. Com a maturidade, algumas atividades profissionais estão associadas a desvalorização, ao escárnio.
Se a engenharia se confirma como uma atividade profissional de relevância, e o dia a dia tem demonstrado isso, a docência ganha ar pejorativo. Se há orgulho, ele vem da experiência resistente de indivíduos que conviveram com uma docência cultuada no seio familiar ou em um ambiente que lhe deu o valor devido.
Observando o conceito sobre a atividade docente expressa nos seriados de TV ou em alguns ambientes familiares, a desilusão é certa. O professor é um tolo, pronto a ser enganado, ou é tido como uma oposição a felicidade vivida em dias de vadiagem. A escola perdeu função.
Se um em cada três mantém o sonho de infância, temos que considerar que todos tem um sonho. Todos tem uma profissão idealizada. Dois em cada três a veem se desfazer. Todos tiveram professores. Eles marcaram suas vidas, mas como isto foi feito? Por que se desfez o desejo de atuar na educação para a maioria deles?
E só perceber o valor que as relações foram dando ao professor dentro da vida escolar e fora dela. Contribui para isso alguns dos professores que muitos tiveram na infância. Profissionais desequilibrados, desqualificados e que justificavam a depreciação. Outros, ainda bem, resistem. Ótimos profissionais e cumprem um papel vital para o futuro de qualquer ser humano. Nos dois casos professor é um modelo, ele será uma referência, um sentido de busca para o futuro. Uns reforçando o ato que pratica ou o renegando.

Comentários

  1. Oi, professor!

    Faço parte da sua página no Facebook, recentemente.
    Iniciei o curso de Pedagogia EAD Cesumar. Através da disciplina, Fundamentos Sociológicos e Antropológicos da Educação ministrado por você, fiquei estimulada a pesquisar e aprofundar meus conhecimentos na área da educação.

    Obrigada por ser um profissional que faz a diferença e que compartilha o seu saber.

    Estaremos juntos no período de 4 anos até a minha conclusão do curso. E depois de graduada continuarei acompanhando-o na sua página no Facebook.

    Abraço, sua aluna: Verônica Veiga

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