Suicídio emocional do consumo

Consumir é um ato econômico, mas o sentido pode ser outro. Uma pesquisa do SPC Brasil (Sistema de Proteção ao Crédito) demonstra que a maioria dos consumidores brasileiros compra por impulso. 85% dos entrevistados admitiram ter perdido a razão e feito uma compra movidos pela emoção. A ansiedade e falta de autoestima é o que justifica a maior parte dos atos de aquisição pelo coração.
Mas dependendo da renda o impulso muda. Para os mais abastados, as classes A e B, comprar é uma questão de satisfazer o prazer da festa, do jantar, da viagem. Os excessos estão quase sempre ligados a um evento.A satisfação da materialidade prazerosa que pode, depois de passar a embriaguez, ser marcada por uma ressaca com forte dor de cabeça.
Para os menos abastados o motor emocional do consumo é outro, a angústia e a falta de autoestima. Ser e não gostar do que se é impulsiona os emergentes. Se sentir feio e querer se aceitar, para isso, segundo a pesquisa, as classes C e D tem como solução comprar, comprar, comprar... até o dinheiro terminar e o crédito se encerrar.
As consequências desta prática emotiva é não sobrar dinheiro para investimentos e se ter um futuro incerto. Tudo para hoje, nada para amanhã. Entre aqueles que tem melhor renda, 42% dos entrevistados, há o gasto de tudo o que ganham com compras, não há poupança. Apenas 23% da classe A e B guardam dinheiro, ou seja 1 em cada 5.
Entre os emergentes o gasto total da renda, não deixar sobrar nada, é pior. 53% dos membros das classes C e D gastam todo o rendimento do mês. E são exatamente eles que tem mais desatenção com os juros cobrados nos financiamentos. Consideram, ingenuamente, que o crédito é uma extensão dos seus rendimentos. Desta alucinação para o endividamento sem condições de cumprir os compromissos, inadimplência, é um passo.
Mas o que move a economia hoje é o sonho. A ilusão de atingir simbolicamente o sucesso através da coleção de objetos. Desfilar com a abundância aparente sustentada em dívidas. O desejo imediato fala mais alto que a busca de um futuro seguro. Me pergunto, muitas vezes, se não estamos promovendo um suicídio coletivo através do consumo excessivo que anestesia. Como se fossemos a caminho da morte anunciada, sem qualquer compromisso com o futuro. Um suicida que se agarra aos superficial sem competência de entender a vida. Um consumidor letal.

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