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Mostrando postagens de Março, 2013

Minhas três partes

Nada temo, sou pai. Eles estão sempre ali, na minha frente. Seja a imagem real, aquela que meus olhos miram e as mãos podem tocar, ou aquela realidade que repousa em meu coração e da sentido a minha vida única em três atos, meus filhos. Cada um em seu momento construíram os três melhores capítulos da minha existência que se eternizará em suas vidas.
O meu primeiro amor me veio ainda jovem, ainda no tempo em que fraudas se lavava e não se descartava. Quando o trabalho de digitar textos e provas ainda eram na máquina-de-datilografia. Quando lá vinha aquela moreninha linda sentar no meu colo e colocar os dedos na tecla e bagunçar um trabalho demorado que se perdia em risos. Não me incomodava, deixava, aquilo que fazia era por ela, para que evitar refazer o trabalho se o amor eterno resolveu destruí-lo para se divertir, sorria.
O meu segundo amor veio pulando. Saiu da barrida da mãe fazendo "estrelinha". Não tinha quem contivesse a rapidez da menina com jeito de moleque. Não ganh…

Ofícios do ócio

O Facebook tem 250 milhões de pessoas jogando no seu espaço virtual. Os membros da comunidade virtual que acessam os jogos aumentou 24%¨, a quantidade de jogos cresceu 75%. Estes índices são de 2012.
Em investimentos os números são assustadores, US$ 2 bilhões em 2012. De receita, 100 jogos, já deram US$ 1 milhão. Um grande negócio, sem dúvida. Um investimento que deve crescer na proporção do lucro este ano.
Uma pesquisa feita na Inglaterra, em 2010, apontou que oito horas da semana, dentro da jornada de trabalho, são gastos em redes sociais. Parte considerável dos funcionários que usam o computador no seu ambiente profissional estão se distraindo na internet, alguns, muitos, jogando.
O vício pela rede mundial, pelas mensagens, pelas páginas sociais, se agrega aos jogos. Temos muito o que fazer para passar boa parte do tempo fazendo nada. Cumprindo um ritual rigoroso do ócio. Ao final de horas gastas com a idolatria a nada, ao esforço sem sentido. Viciamos parte considerável da humanida…

Receita para a educação

De JK à Itamar: sem bicicleta

Eu gosto de andar de bicicleta, mas o amor a vida ainda é maior. E infelizmente, unir o sentimento ao prazer ainda não é possível no mar de carros em que estamos enfiados todos os dias. Esta condição não é só minha, sei que tem muitos que ficam na vontade para não comprometer a existência.
Sei que em Nova Iorque tem mais de quatrocentos quilômetros de ciclovia e que o automóvel é o meio de transporte de pouco mais de 30% da população. Ter um transporte coletivo eficiente ajuda. Deslocar-se rapidamente para diversos lugares usando o meio público é o ideal. Mas estamos longe disso, infelizmente. Por quê?
Progresso para nós tem outro nome, empilhamento de automóveis. Esta riqueza propagada em forma de lata e rodas é o sonho de consumo consolidado por um culto que remonta JK e os sues "50 anos em 5". Ter um carro é a conquista da dignidade que enche os caixas de montadoras, revendedoras de novos e usados, de lojas de acessórios, de oficinas mecânicas (cada vez mais especializada…

Francisco: uma conciliação na pobreza

Esta semana que passou o Conclave escolheu o novo Papa. Foi rápido, uma fumaça branca saiu da chaminé e invadiu o twitter, depois nas demais redes sociais, os jornais on-line e no restante da mídia na sequência. Em duas fotos comparando a escolha de Bento XVI (2005) e Francisco (2013) a multidão denunciava a digitalidade que invadiu a multidão e deu a notícia da escolha em "primeira mão".
Francisco ingressou no papado sob os holofotes da digitalidade dos flashes de celulares e câmeras. Ele falou pela primeira vez para a multidão na Praça de São Pedro, no Vaticano, na cidade de Roma, mas falava para a humanidade, ao vivo, em tempo real. Dizer que o "Papa é Pop" nunca foi tanto uma verdade como agora. E Jorge Bergoglio sabia disse. Ao pronunciar palavras humildes, ao optar pela simplicidade, ao trazer o pacato para substituir o luxo, ele revolucionou. Mas são as palavras que encantam ao fazerem a trilha sonora do gesto jesuítico da homenagem a São Francisco. Ele se c…

Livro alimenta, mas tem que saber preparar

Fundação Biblioteca Nacional fez a doação de mais de 930 mil livros para 1.625 bibliotecas em todo o país. Um grande ato. Os títulos foram indicados pelas escolas, e devem estimular a leitura. Porém, não estamos diante de uma solução em sim de parte de uma resposta. Há mais obstáculos entre um ser humano e o livro na prateleira da biblioteca.
Um dos principais obstáculos é o analfabetismo funcional, ele atinge mais de 60% dos brasileiros. Esta barreira denuncia o limite da distribuição das obras. O interesse em querer ler é ter a condição de se entender o que se lê. Não podemos saborear o que só o tempero da imaginação pode conceder. E como temperar a mente se a leitura não tem significado?
O ato tem que ser mais amplo. O governo federal, as escolas, os professores, os alunos, as famílias tem que se envolver em grandes eventos que tenham a leitura como astro maior. A alfabetização precisa ser plena, não pode ser as migalhas do mínimo estético, passar os olhos sobre as letras.
O conteúd…

O prato raso de Dilma

Presidente Dilma Roussef anunciou a erradicação da miséria no país. Mas a promessa não é nova, já tinha sido slogan de sua campanha em 2010. Agora, antecipando a do ano que vem, ela anuncia novamente, "vai tirar da miséria 2,5 milhões de brasileiros". Para isso, R$ 70,00 per-capta para encher o prato de quem se encontra na miséria. Mas a porção de Dilma é rasa.
Segundo levantamento feito pela Folha de São Paulo, seria necessário o dobro desta valor para cumprir o prometido. Com o valor estabelecido pelo Ministério da Saúde, não daria para cumprir uma nutrição básica para a população.
A presidente está em campanha e quer transformar o combate a miséria em sua principal bandeira. Mas entre o que se propõe e a condição real para superar a carência há uma distância, segundo dados do Fundação Getúlio Vargas. Pela FGV, seria necessário pagar R$ 138,00 pelo prato mínimo para o combate a fome. Um valor bem acima do que Dilma anunciou.
Quem não esquece da campanha do "Fome Zero&…

Consumo é política de Estado

A presidente Dilma Roussef, em seu último pronunciamento a nação afirma que a qualidade para o consumidor é uma preocupação não só do governo, mas é uma política de Estado. Este posicionamento não é novo, apenas segue uma tendência que em diversas partes do mundo ocorre. Consumir passa a ser uma prioridade na busca de ter um eleitor fiel.
Esta prática não é exclusiva de Dilma Rousseff, mas de seu antecessor. A busca por dar a sensação de bem estar facilitando o acesso ao consumo justifica a afirmação de transformar o ato de consumidor em uma prioridade. Em campanhas eleitorais esta medida monstra eficiência, e é isso que a presidente está fazendo.
O bem-estar deixou de ser a busca por uma estrutura duradoura e passou a ser a garantia à maioria da população de condições de compra. A preocupação com a manutenção de um mercado interno atraente passa pelos incentivos públicos e pelas linhas de crédito. Estas duas medidas andam juntas há um bom tempo. Crédito consignado e para aposentados …

O homem que faliu o Estado

O estado está se decompondo diante da economia mundial. Seu papel ideológico que foi tão importante durante a Guerra Fria (1945-1989) agora se deteriora diante das necessidades do cidadão-consumidor. O desejo de ter está à frente de qualquer intensão de um projeto social de futuro.
A liberdade se tornou uma busca de cada um, não mais uma condição para todos. Ser livre permite a realização do desejo particular, para muitos é isso que importa.
O "eu" atravessou o "nós" e deixou em pedaços. Um dia chamamos de "projeto coletivo de sociedade" a condição básica da existência, agora está na minha realização imediata, durante uma longa vida. Dizem que já está entre nós o ser humano que irá viver 120 anos. Diante do que presencio, penso: "para que viver tanto sem saber o que fazer com a vida?"
Nas ações do poder público é que percebo o quanto o imediato também é um projeto do governante. A aparência do sucesso vale todo o investimento. O recurso público,…

O Brasil é uma eterna promessa

A economia brasileira ainda tem muito o que melhorar para se transformar em uma oportunidade de fato. O que assistimos como otimismo é um desfile de produtos oferecidos no mercado que nos dão uma sensação de bem-estar. Contudo, falta muito para qualidade de vida ser transformada em bens de consumo.
A fantasia da satisfação na falsa capacidade de consumo faz com que o país resgate os discursos de progresso ao longo de sua história. Do desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek marcado pela presença das montadoras de veículos e eletrodomésticos ao período do "milagre econômico" da ditadura de Emílio Médici, o país convive com a promessa da potência do futuro. Me lembro como se fosse hoje, mas foi na década de 1970, quando os chineses estavam aprendendo português para poder se preparar para a nosso sucesso definitivo na economia mundial. Hoje, o mandarim abre portas.
Ontem, a presidente Dilma Rousseff anunciou a retirada de tributos federais da cesta básica. Ato positivo, mas v…

Mais vale morto que vivo

A morte de Hugo Chaves faz lembrar a todos que o populismo vive nas nações latino-americanas. O corpo do ditador que se quer embalsamar para a eternidade, lembra que o cadáver do populismo nunca morre. O líder será lembrado e, após transformado em um cadáver arrastado na memória, se transformará em um boneco, uma marionete, nas mãos dos ventríloquos que lhe herdam o poder. Infelizmente Chaves não irá morrer.
O presidente venezuelano era um datador. Com golpe assumiu o poder e com eleições fundadas nas oferendas populares do clientelismo típico do governo autoritário permaneceu. Ele, doente, definhou e teve como suas últimas palavras o pedido desesperado de que não queria morrer. A busca pela vida talvez seja a fraqueza do estatista que não sabe aceitar o fim. Se viver para sempre, será pelas mãos dos outros.
A esperança de que a Venezuela reencontre o caminho com a liberdade democrática não parece ser o que está por vir. A morte de Chaves não coloca fim aos seu autoritarismo. O defunto…

Sofrimento dentro e fora

O que é pior, estar dentro ou fora da escola? Claro que estar fora, mas a qualidade do que se aprende na sala de aula é duvidosa.
Uma pesquisa feita pelo Movimento Todos pela Educação, "De Olho nas Metas", apresenta que 3,6 milhões de crianças e jovens estão fora da escola. Uma população maior que a do Uruguai. Dois gargá-los são apresentados. Primeiro o número de crianças de 4 a 5 anos fora do sistema de ensino, um milhão. Poderíamos aqui alegar que muitas mães não querem colocar seus filhos no centros infantis por opção, mas a realidade é outra. Falta vagas nas creches.
Já na outra ponta, há um grande número de evasão do ensino médio. Parte dos alunos, adolescentes e jovens, que saem da escola, é para ingressar no mercado de trabalho. Outra parte sai pelo tráfico de drogas, outras por motivos alheios. Porém, 31,6% dos que deveriam estar no ensino médio ficaram nas séries do ensino fundamental.
Outro levantamento feito pelo Movimento Todos pela Educação denuncia que apenas …

Consumidor cidadão

Tudo bem, consumidor não é a única condição de um cidadão. Isto é uma verdade. Mas temos que considerar que boa parte do que fazemos em nossa vida envolve o consumo. Estamos sempre nos relacionando com objetos que atendem aos nossos interesses. Em muitos casos, por sinal, eles são mais interessantes em nossa relação que parte considerável dos seres humanos, isto é uma verdade para uma boa parte de quem convive com a parafernália adquirida no mundo do mercado. O celular, a câmera digital, o televisor, os jogos de videogame, o notebook, nada parece superar a harmonia entre o homem e os bens de consumo pessoais.
Por isso, se quiser tocar nossa ferida, mexa com o consumidor. Se como cidadão nos importamos pouco com nossa condição, como consumidores esbravejamos. Queremos um tratamento adequado. Podemos considerar que na hora do consumo sobre uma majestade. Nada pode nos faltar. Mas quando estamos diante dos serviços que contratamos ou do uso diário do bem que adquirimos, percebemos que o …

O "Doutor" excessivo

Uma conversa com Roberta Villibor é sempre surpreendente. Ela chegou para uma entrevista no Programa Opinião (MultiTV Maringá) com o combinado de falarmos sobre o problema da falta de leitura do brasileiro, com destaque aos professores do ensino público, já que mais da metade deles não leem. Mas tudo mudou. Villibor chegou e mudou o rumo da conversa dizendo: "quero falar deste negócio de chamar pessoas de doutor sem que eles tenha doutorado". Mudamos e deu certo.
Na conversa com a mestre em Letras e professora de literatura, ela analisou a submissão pela linguagem e como a tradição que expressa educação pode afirmar e reafirmar imposição. Para Roberta, temos que considerar que não é preciso chamar de "doutor" um advogado para expressar respeito e ser respeitado.
E por fim, a conversa foi produtiva e a entrevista de 15 minutos foi de uma sensação de 15 segundos. Aquele sentimento que faltou tempo para falar mais. A parceria com Villibor deve continuar na CBN. Estamo…