De JK à Itamar: sem bicicleta

Eu gosto de andar de bicicleta, mas o amor a vida ainda é maior. E infelizmente, unir o sentimento ao prazer ainda não é possível no mar de carros em que estamos enfiados todos os dias. Esta condição não é só minha, sei que tem muitos que ficam na vontade para não comprometer a existência.
Sei que em Nova Iorque tem mais de quatrocentos quilômetros de ciclovia e que o automóvel é o meio de transporte de pouco mais de 30% da população. Ter um transporte coletivo eficiente ajuda. Deslocar-se rapidamente para diversos lugares usando o meio público é o ideal. Mas estamos longe disso, infelizmente. Por quê?
Progresso para nós tem outro nome, empilhamento de automóveis. Esta riqueza propagada em forma de lata e rodas é o sonho de consumo consolidado por um culto que remonta JK e os sues "50 anos em 5". Ter um carro é a conquista da dignidade que enche os caixas de montadoras, revendedoras de novos e usados, de lojas de acessórios, de oficinas mecânicas (cada vez mais especializadas) e postos de combustíveis. Os acidentes de trânsito provocados pelo excesso e a falta de leitos nos hospitais também fazem parte desta relação em cadeia do automóvel.
Os atos governamentais no país respondem com eficiência a este desejo nas últimas 7 décadas. A compra do automóvel é uma questão de estado. Baixar juros, dar incentivos fiscais, ampliar vias, transformar o preço da gasolina em um problema nacional são demonstrações da relevância do desejo de consumo do cidadão pelo automóvel.
Lembro que Juscelino Kubitschek tinha como símbolo de seu progresso a indústria automobilística, as montadoras. Sua foto saindo de uma linha de montagem dentro de um fusca conversível foi copiada por Itamar Franco em 1993. Hoje, este culto mantém os brasileiros cada vez mais longe de uma alternativa para o transporte urbano.

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