Francisco: uma conciliação na pobreza

Esta semana que passou o Conclave escolheu o novo Papa. Foi rápido, uma fumaça branca saiu da chaminé e invadiu o twitter, depois nas demais redes sociais, os jornais on-line e no restante da mídia na sequência. Em duas fotos comparando a escolha de Bento XVI (2005) e Francisco (2013) a multidão denunciava a digitalidade que invadiu a multidão e deu a notícia da escolha em "primeira mão".
Francisco ingressou no papado sob os holofotes da digitalidade dos flashes de celulares e câmeras. Ele falou pela primeira vez para a multidão na Praça de São Pedro, no Vaticano, na cidade de Roma, mas falava para a humanidade, ao vivo, em tempo real. Dizer que o "Papa é Pop" nunca foi tanto uma verdade como agora. E Jorge Bergoglio sabia disse. Ao pronunciar palavras humildes, ao optar pela simplicidade, ao trazer o pacato para substituir o luxo, ele revolucionou. Mas são as palavras que encantam ao fazerem a trilha sonora do gesto jesuítico da homenagem a São Francisco. Ele se coloca pelo carisma diante da incerteza. Seria popularidade ou populismo? Esta questão o tempo irá responder.
Entre o populismo e a popularidade existe uma imensa diferença e, ao mesmo tempo, uma triste aproximação. Da popularidade se tira a capacidade de prestígio do governante que sabe se dirigir a massa e esta lhe demonstra confiança. O povo acredita mais no poder que o entende os gestos. Aquele que demonstra nos atos e lhe reproduz na simbologia os seus significados do dia a dia. Andar de ônibus, pagar as próprias contas, fazer sua própria comida e dizer: "sou pobre!"
Mas na América Latina de Bergoglio a popularidade do governante arrasta consigo o populismo, o carisma do governante a serviço da manipulação da massa para o benefício dos que são apadrinhados do poder. Esta prática, argentinos, brasileiros, venezuelanos, mexicanos, equatorianos, cubanos... conhecem bem.
Neste encontro temeroso entre a popularidade e o populismo, a pobreza está sempre presente, na simbologia e no discurso. Na manipulação das condições de pobreza e na relação entre a miséria política e o poder autoritário. Os líderes latinos se dirige aos pobres e dizem ser seus protetores, mas são? Na verdade, são seus algozes, seu maior problema.
Contudo, ao ver o Papa optar pelos pobres, eu acredito em sua popularidade, acredito em seus atos simples, e confio em seu discurso de defesa e luta por quem mais precisa. Não vou acreditar que seja uma expressão de populismo. Esta prática, infelizmente, eu credito à aqueles que desejam o poder, amam serem senhores de outras vidas e fazer delas um instrumento a serviço dos seus interesses. Já a Francisco, acredito que ser responsável por muitas vidas, por muitos fiéis, lhe pesa e lhe enche de responsabilidade nos gestos que devem ter mais do que simplesmente a função de lembrar, tem o princípio de agir.

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