Livro alimenta, mas tem que saber preparar

Fundação Biblioteca Nacional fez a doação de mais de 930 mil livros para 1.625 bibliotecas em todo o país. Um grande ato. Os títulos foram indicados pelas escolas, e devem estimular a leitura. Porém, não estamos diante de uma solução em sim de parte de uma resposta. Há mais obstáculos entre um ser humano e o livro na prateleira da biblioteca.
Um dos principais obstáculos é o analfabetismo funcional, ele atinge mais de 60% dos brasileiros. Esta barreira denuncia o limite da distribuição das obras. O interesse em querer ler é ter a condição de se entender o que se lê. Não podemos saborear o que só o tempero da imaginação pode conceder. E como temperar a mente se a leitura não tem significado?
O ato tem que ser mais amplo. O governo federal, as escolas, os professores, os alunos, as famílias tem que se envolver em grandes eventos que tenham a leitura como astro maior. A alfabetização precisa ser plena, não pode ser as migalhas do mínimo estético, passar os olhos sobre as letras.
O conteúdo que nos faz refletir sobre a vida com mais racionalidade tem várias fontes, mas as que penetram profundamente na consciência são aquelas que podemos manusear, ler, reler e rever. O livro permite isso.
Para que as doações da Biblioteca Nacional avance sobre os seres humanos, para que o livro seja retirado de seu repouso, aberto e comido pelos olhos, há uma excitação que o leitor tem que adquirir e transformá-la em um prazer. É como "fazer amor", ter um bela relação sexual. Tem que se descobrir o livro pelo tato do olhar, deixar penetrar no coração, na mente e ter êxtase em cada descoberta. Por fim, se descobrir renovado e pronto para buscar um novo amor, um novo livro, uma nova leitura e desnudar o sentido da vida.

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