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Mais vale morto que vivo

A morte de Hugo Chaves faz lembrar a todos que o populismo vive nas nações latino-americanas. O corpo do ditador que se quer embalsamar para a eternidade, lembra que o cadáver do populismo nunca morre. O líder será lembrado e, após transformado em um cadáver arrastado na memória, se transformará em um boneco, uma marionete, nas mãos dos ventríloquos que lhe herdam o poder. Infelizmente Chaves não irá morrer.
O presidente venezuelano era um datador. Com golpe assumiu o poder e com eleições fundadas nas oferendas populares do clientelismo típico do governo autoritário permaneceu. Ele, doente, definhou e teve como suas últimas palavras o pedido desesperado de que não queria morrer. A busca pela vida talvez seja a fraqueza do estatista que não sabe aceitar o fim. Se viver para sempre, será pelas mãos dos outros.
A esperança de que a Venezuela reencontre o caminho com a liberdade democrática não parece ser o que está por vir. A morte de Chaves não coloca fim aos seu autoritarismo. O defunto arrastado servirá de palanque para os que dele se apropriam como pedra de toque na busca do controle da massa. Se puxarmos da memória, vamos lembrar de um outro senhor do populismo que conhecemos bem, que em sua "Carta Testamento" se referiu ao povo como "massa que se encontra desamparada".
No velório do embalsamado populista de farda venezuelano, a presença de seus pares que, de certa forma, lhe reverenciam por serem, alguns, senhores do mesmo molde. 
Cristina Kirchner, Evo Morales, José Mujica e Luis Inácio Lula da Silva, acompanhado de sua obra eleitoral, Dilma Rousseff, e Rafael Correa deram seu último adeus ao "companheiro". Uma demonstração de que a América Latina está infestada deste cheiro de “defuntos vivos”, prontos a despertar de seus túmulos e retomar o poder guiado pelos seus herdeiros.
Mas as filas de populares que passam horas, as vezes dias, para olhar pela última vez o que consideram ser o seu salvador, o santo vivo, o mártir e "pai dos pobres", é uma expressão da herança história de um povo apartado do direito de se fazer representar e participar da vida pública. A ignorância fundada em migalhes distribuídas por ditadores para quem não conhece a consciência do que lhe é de direito gera esta contradição. O agradecimento pela permissão do acesso ao mínimo vira obra eterna de uma falsa "revolução" que se intitulou "bolivariana".
Nada aconteceu de revolucionário, apenas foi o poder que trocou de mão. Passou de um morto para um vivo, mas que governar será uma extensão do falecido.

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