O homem que faliu o Estado

O estado está se decompondo diante da economia mundial. Seu papel ideológico que foi tão importante durante a Guerra Fria (1945-1989) agora se deteriora diante das necessidades do cidadão-consumidor. O desejo de ter está à frente de qualquer intensão de um projeto social de futuro.
A liberdade se tornou uma busca de cada um, não mais uma condição para todos. Ser livre permite a realização do desejo particular, para muitos é isso que importa.
O "eu" atravessou o "nós" e deixou em pedaços. Um dia chamamos de "projeto coletivo de sociedade" a condição básica da existência, agora está na minha realização imediata, durante uma longa vida. Dizem que já está entre nós o ser humano que irá viver 120 anos. Diante do que presencio, penso: "para que viver tanto sem saber o que fazer com a vida?"
Nas ações do poder público é que percebo o quanto o imediato também é um projeto do governante. A aparência do sucesso vale todo o investimento. O recurso público, em sua maior parte, é aplicado sobre uma sensação de segurança ou realização superficial. O investimento em segurança pública, por exemplo, se traduz exclusivamente em um número cada vez maior de policiais, viaturas e repressão. Não conseguimos pensar o que gera a agressão em sua maior proporção.
Este imediatismo viciante dói. Ele se impõe em todos os cantos e determina a fragilidade de nossos atos. O sentimento de pequenez que deveria nos impulsionar para o alto nos reduz a comodidade das vítimas. Justificamos nossa inércia pela "gigantesca" realidade que nos cerca. Se somos fracos é por comodidade, por temer o embate e a angústia, por ser melhor a vida de expectador do que agente de um espetáculo trágico que exige esforço para construir a esperança.

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