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Ofícios do ócio

O Facebook tem 250 milhões de pessoas jogando no seu espaço virtual. Os membros da comunidade virtual que acessam os jogos aumentou 24%¨, a quantidade de jogos cresceu 75%. Estes índices são de 2012.
Em investimentos os números são assustadores, US$ 2 bilhões em 2012. De receita, 100 jogos, já deram US$ 1 milhão. Um grande negócio, sem dúvida. Um investimento que deve crescer na proporção do lucro este ano.
Uma pesquisa feita na Inglaterra, em 2010, apontou que oito horas da semana, dentro da jornada de trabalho, são gastos em redes sociais. Parte considerável dos funcionários que usam o computador no seu ambiente profissional estão se distraindo na internet, alguns, muitos, jogando.
O vício pela rede mundial, pelas mensagens, pelas páginas sociais, se agrega aos jogos. Temos muito o que fazer para passar boa parte do tempo fazendo nada. Cumprindo um ritual rigoroso do ócio. Ao final de horas gastas com a idolatria a nada, ao esforço sem sentido. Viciamos parte considerável da humanidade a consumir o anestésico do falso movimento. A dinâmica tensa da busca de metas sem sair do lugar. O esforço mental gasto pela vitória do vazio.
Acredito que jogos despertem a capacidade de raciocínio, considero importante aprendermos nos jogos as regras vitais da vida. Também tem que se considerar que o estímulo ao cérebro estão nos games, eles são lúdicos e a vida necessita disso. Levo em consideração que se precisa, também, de um momento de lazer, se desligar por algum tempo da tensão da vida, mas tudo isso é para depois retomá-la. Não para fugir das relações que dão sentido ao que somos, o que se é.
O uso viciante da internet nos cobre de um isolante da realidade. Nos permite realizarmos fantasiosamente o sonho da vitória, da lógica mesquinha de viver para um mundo fundado na existência sem o outro. Se há outros no mundo dos jogos virtuais, são
previsíveis, não os reais e necessários.
Esta doença propagada dos vícios em jogos on-line nos alivia de existir e enfraquece a compreensão, a maturidade. A vida necessita de músculos lógicos para poder ser suportada. A capacidade de compreender a vida precisa de experiências reais, entendidas em sua dimensão emocional e racional com o que existe de fato e não da ilusão.

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