Receita para a educação



Redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) veio com receita de macarrão instantâneo. Pior, os corretores deram nota acima da média. Outra tinha o hino do Palmeiras, clube de futebol paulista. Nas duas uma lição, elas são uma expressão do que são os termômetros da educação. Sem dúvida, o melhor diagnóstico que os exames nacionais organizados pelo MEC (Ministério da Educação) podem apontar.
As redações denunciam a ousadia dos alunos, ou a certeza da impunidade? A garantia de que o que deveria ser feito não será? Sim, é a resposta para as duas questões. Os alunos que produziram as redações, com certeza, não tiveram nelas uma prática inovadora. Enganar já faz parte do trato com as atividades da escola. Para eles, escrever tolices em uma redação, “encher linguiça”, está na prática discente há muito tempo.  Eles já tiveram notas de aprovação ao longo de sua história na sala de aula.
Isto é a escola. Esta prática do enganar e ser enganado. Da prática do nada fazer, nada cobrar, para não ser cobrado. Uma relação que envolve muito mais que uma redação, mas toda uma história dentro da escola. Os professores a praticam quando não sabem o que ensinar e remediam conteúdos. Eles esperam que nem um aluno os questione, de que não sejam pressionados para produzirem o que não são capazes. Por sinal, esta foi a lição que os alunos melhor aprenderam.
A redação com uma receita de macarrão instantâneo é a que melhor identifica a superficialidade da educação no país. Tão fácil de fazer quanto de se chegar ao final do Ensino Médio. Qualquer um prepara o prato, assim como, qualquer um pode passar pelas etapas da escola.
O que é a educação brasileira então? Um miojo, um macarrão instantâneo.

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