Pular para o conteúdo principal

Receita para a educação



Redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) veio com receita de macarrão instantâneo. Pior, os corretores deram nota acima da média. Outra tinha o hino do Palmeiras, clube de futebol paulista. Nas duas uma lição, elas são uma expressão do que são os termômetros da educação. Sem dúvida, o melhor diagnóstico que os exames nacionais organizados pelo MEC (Ministério da Educação) podem apontar.
As redações denunciam a ousadia dos alunos, ou a certeza da impunidade? A garantia de que o que deveria ser feito não será? Sim, é a resposta para as duas questões. Os alunos que produziram as redações, com certeza, não tiveram nelas uma prática inovadora. Enganar já faz parte do trato com as atividades da escola. Para eles, escrever tolices em uma redação, “encher linguiça”, está na prática discente há muito tempo.  Eles já tiveram notas de aprovação ao longo de sua história na sala de aula.
Isto é a escola. Esta prática do enganar e ser enganado. Da prática do nada fazer, nada cobrar, para não ser cobrado. Uma relação que envolve muito mais que uma redação, mas toda uma história dentro da escola. Os professores a praticam quando não sabem o que ensinar e remediam conteúdos. Eles esperam que nem um aluno os questione, de que não sejam pressionados para produzirem o que não são capazes. Por sinal, esta foi a lição que os alunos melhor aprenderam.
A redação com uma receita de macarrão instantâneo é a que melhor identifica a superficialidade da educação no país. Tão fácil de fazer quanto de se chegar ao final do Ensino Médio. Qualquer um prepara o prato, assim como, qualquer um pode passar pelas etapas da escola.
O que é a educação brasileira então? Um miojo, um macarrão instantâneo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Paraná não é Maringá

Alimento pela cidade que eu nasci um imenso carinho. Maringá é uma cidade que se fez e se faz. Há realmente um espírito associativo. Ele é ligado ao meio privado, empresarial. Isto é fato. Mas tem um estímulo de organização e representação eficiente. O que faz de Maringá uma cidade diferente. E ela é. Em diversos índices a cidade está entre as melhores do país. Potencial de consumo, o qual é retratado pelo Anuário a Grande Região de Maringá, divulgado a cada dois anos pelo Grupo Maringá de Comunicação. Ele comprova isso. Os dados são levantados pelo IPC Maps. Lembrando que o Produto Interno Bruto da cidade cresce mesmo quando o país não.
O Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, o Codem, tem investido no planejamento em longo prazo. Agora, o Masterplan aponta para um crescimento até 2047, quando a cidade irá fazer 100 anos. Até agora, o planejamento teve um investimento de R$ 1,5 milhão. E vale a pena. Há muito mais por vir. E ele não tem custo para o poder municipal. O qua…

STF pode fazer justiça e ser inconstitucional

Não se pode ser ingênuo. O país vive uma legislação apartada da população. Para quem a lei vale? Não para todos. E se vale, as brechas na lei somente para alguns. A defesa dos réus permite a liberdade de quem pode recorrer. O julgamento do ex-presidente Lula não é um caso isolado, tem que ser entendido na histórica desigualdade de tratamento pelo poder em relação ao cidadão. A Constituição Federal, humana, permite desumanidades. No país teve inúmeras manifestações contra o ex-presidente Lula, na defesa da prisão em segunda instância e em defesa da Lava-Jato. O país clama por justiça. Mas o que é justo? Quando se pensa na corrupção dos homens públicos e os que deveriam ser presos a injustiça é maior. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. O dinheiro desviado por corrupção tira dos cofres públicos recursos vitais para salvar da miséria e da marginalidade muitos. Destes, os que acabam se transformando em bandidos e são presos sem dinheiro para recorrer a todas as instâncias. Q…

Conservadorismo não é nazismo

Vivo em defesa do bom liberalismo e dos bons conservadores. Me incomoda profundamente um país que confunde conservadores com extremismo e neonazismo. Esta defesa do extermínio, da perda de liberdade, da violência que combate a violência. Nada disso tem relação com a conservação das instituições, das leis e da liberdade. Há uma confusão entre a preservação das instituições e o radicalismo que prega o extermínio da oposição ou de tudo o que se opõe. Na limitação de compreender a dinâmica do poder e que fundamenta nossas mazelas, há os radicais que consideram a destruição a melhor saída. Não é! A ousadia é mudar dentro do que se tem de mais precioso, a democracia.
Incrível perceber que radicais desejam o retorno da ditadura. Ao mesmo tempo há os que defendam a eliminação dos políticos de esquerda e, outros, até da própria esquerda. A implantação de um governo autoritário é típica da pobreza submissa do latino-americano. Faz parte das raízes de um continente governado por caudilhos, noss…