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Sofrimento dentro e fora

O que é pior, estar dentro ou fora da escola? Claro que estar fora, mas a qualidade do que se aprende na sala de aula é duvidosa.
Uma pesquisa feita pelo Movimento Todos pela Educação, "De Olho nas Metas", apresenta que 3,6 milhões de crianças e jovens estão fora da escola. Uma população maior que a do Uruguai. Dois gargá-los são apresentados. Primeiro o número de crianças de 4 a 5 anos fora do sistema de ensino, um milhão. Poderíamos aqui alegar que muitas mães não querem colocar seus filhos no centros infantis por opção, mas a realidade é outra. Falta vagas nas creches.
Já na outra ponta, há um grande número de evasão do ensino médio. Parte dos alunos, adolescentes e jovens, que saem da escola, é para ingressar no mercado de trabalho. Outra parte sai pelo tráfico de drogas, outras por motivos alheios. Porém, 31,6% dos que deveriam estar no ensino médio ficaram nas séries do ensino fundamental.
Outro levantamento feito pelo Movimento Todos pela Educação denuncia que apenas 10% dos alunos que concluem o ensino médio tem competência em Matemática. Já em língua portuguesa o índice cai para 9%. Uma aberração. Uma exclusão.
Estes alunos ficarão a margem de qualquer possibilidade de avanço profissional independente da área de trabalho que resolvam atuar. O ingresso no ensino superior está comprometido e se conseguirem, terão uma formação deficiente.
O que não se percebe é que esta falta de competência mínima é um foço quase impossível de ser superado. As instituições de ensino superior, tanto públicas como privadas, tem criado os chamados "cursos de nivelamento" na tentativa de superar dificuldades trazidas do ensino médio. Esta medida ajuda, mas não resolve. O mal se acaba pela raiz, e ela é mais profunda do que parece.
Se há uma luta pela educação, há, também, infelizmente, uma cadeia de erros que corrói a rede de ensino. Esta cadeia de incompetência vai da sobra de vagas em algumas escolas e a falta em outras. Passa pela desqualificação de professores, descasos familiares, má intensão da administração pública e desconexão entre escola e sociedade.
O olhar tem que ser atento a tudo e ir além. Temos que cumprimentar os avanços conseguidos nos últimos anos, mas temos que lamentar que muitos problemas continuam na educação pública. Deles, o que mais assusta são os seres humanos que compõe a escola. A administração, mas principalmente professores e alunos. O que eles trazem dentro de si, do sentido sobre a educação, é comprometedor. Em alguns casos, os dois não gostariam de estar dentro de uma sala de aula. Se estão é por falta de opção. Para uns é a incompreensão sobre a importância da necessidade de se educar, já para o outro, uma imposição e não uma escolha. Para piorar, eles não se ajudam.
O encontro entre estes elementos acaba resultando, em alguns casos, naa guerra constante em que os dois colaboram para descrédito na educação. Se continuarmos nesta trajetória, a consequência será o comprometimento de uma vida inteira e a desvalorização de um profissional que sempre mereceu respeito, mas que tem que se dar ao respeito, o professor.


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