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Mostrando postagens de Abril, 2013
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Uma das principais propagandas do atual governo é o trabalho. Ele gerou no país um dos argumentos positivos para um bom momento econômico que agora se encontra ameaçado pelo processo inflacionário crescente. Mesmo a geração de emprego está desacelerando. Contudo, o ano passado (2012) ficou para a história, foi o ano com o menor índice de desemprego do país, 4,6%. Mas na aparência dos números há uma ameaça oculta. O trabalho não é só quantidade, ele é, também, um hábito, um sentido, uma cultura. Associada a atividade profissional está a emancipação do indivíduo e a perspectiva de continuidade da vida em sociedade. Os principais teóricos sociais desenvolveram suas teses levando em consideração o papel que o trabalho desempenha na vida coletiva, a principal atividade humana. Do positivismo de Comte, ao estruturalismo de Durkheim, ao materialismo histórico de Marx, ao pré-existencialismo de Weber, o trabalho sempre foi um tema necessário para a compreensão da produção da vida coletiva.  …

A crise de autoridade

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Me diga com que andas e te direi...

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A presidente Dilma Rousseff apresenta seus primeiros sinais de desequilíbrio. O que muitos consideravam que seria a dama de ferro brasileira, agora demonstra falta de pulso com o próprio país. Suas fraquezas são compreensíveis diante das alianças que promoveu para chegar ao Planalto. A preferida de Lula não tinha lastro político o suficiente para atingir o poder com as próprias pernas, ter sido levado pela quantidade de braços que lhe deram suporte agora tem um preço, amargo por sinal, o maior deles, o PMDB. A política do estado elefante cresce sensivelmente. O clientelismo, os acordos para amarras políticas que antecedem a necessidade econômica corroem a máquina pública. Ela está inchada e todos estão pagando por isso.  Agora, a desestabilização da economia demonstra ser o calcanhar de Aquiles que pode derrubar o sonho da presidente que busca a reeleição.  Esta semana, o aumento da taxa de juros (7,5%) e as medidas de impostos tomadas pelo governo em setores em crescimento, como o c…

Vícios de "dois pesos e falta de justiça"

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As relações que estabelecemos, quando perpetuadas por muito tempo, geram vícios, isto é comum. Algumas se naturalizam e aparentam ser uma prática que se transforma em identidade social. A relação entre os brasileiros e o Estado é uma delas. Um ato de desconfiança mútua que quase sempre envolve punição excessiva, injustiça social e corrupção de lado a lado. Não acredito no discurso da inocência dos dois lados, muito menos que a sonegação, por exemplo, é uma culpa do sonegador. O poder público também sonega e é omisso. Claro que, quando falo de poder público, falo de uma entidade ocupada por seres humanos que refletem a sociedade. O Estado está encharcado de seres sociais corruptos e corrompido. Não podemos considerar que os gestores públicos são alienígenas, é retroalimentado por esta relação doentia que faz da administração pública um entrave para a vida social. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo demonstra que 82% dos brasileiros reconhecem que é fácil burlar…

Debate sem Chão

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Conversa oca tem muita. Aquelas que se fala sustentada no nada. Uma das que mais rende é a discussão de menores envolvidos em crimes e a redução da maioridade penal. Agora a discussão sobre este tema tem um novo ingrediente, aumentar o tempo de detenção dos jovens infratores. Também, transferir aqueles que completam 18 anos, e estão dentro de um regime de perda de liberdade, para um presídio. O Paraná tem hoje 936 adolescentes cumprindo pena em 18 Centros Socioeducativos. 20% deles têm mais de 18 anos e a grande maioria tem 17. Sempre é bom lembrar que um adolescente, a partir dos 12 anos, já pode cumprir pena com reclusão. As medidas de pena são variadas de acordo com o crime que se cometeu. O tempo máximo de reclusão de um adolescente não pode ultrapassar seus 21 anos de idade. Se preso aos 12, ele pode ficar até nove anos em regime fechado. Mas parece que a tendência do debate oco é dar aos adolescentes o mesmo tratamento dos adultos. “Quem pode votar em presidente também tem que …

O "sonho" pode acabar

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Dados divulgados agora, nos primeiros meses deste ano, demonstram que alguns setores da economia estão crescendo acima da média. Os shoppings são a demonstração mais clara, eles cresceram 11% no ano passado. A expectativa é de que o setor expanda mais 45 unidades este ano e movimente R$ 1,2 bilhões. Perfumaria e higiene pessoal também cresce, 10% em média nos últimos cinco anos. Em 2012 o crescimento foi de 15,62%. Especialista consideram que longevidade e melhora na renda foram determinantes para a expansão.
Se considerarmos também o setor de eletroeletrônicos, o crescimento teve ajuda de incentivos fiscais e não há o que reclamar. Para se ter uma ideia, 25% foi o índice de crescimento na venda de fogões em 2012. A chamada "linha branca" teve incentivo fiscal, com a redução do IPI, ampliando o leque de produtos que puxou a expansão de muitas redes de supermercados, foi o caso do Condor, cresceu 23,12% no ano passado.
Mas isto tudo pode ser um reflexo tardio de uma economia …

A dificuldade de aceitar erros

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Na vida quem não errou? Todos nós erramos, repetimos erros, por mais que em demasia denuncia problemas. Mas os que admitem o erro são os que aprendem com eles, por isso é um direito errar. Melhorar está em saber os limites que as falhas permitem demarcar. Mas como lidar com quem não admite errar?
Como professor ou profissional da imprensa sei que o ser humano é passível de enganos, admiti-los é um ato ético. Sempre tento entender o que faz com que algumas não consigo admitir isto. Nos meus encontros com este ser que se nega, concluo estar diante de quem tem dificuldade de aceitar o que é e sente ameaçado pelos  que os outros são.
A convivência é um desafio. Por isso cabe a qualquer ser humano aprender a superar seus limites, e aprender a amadurecer com o exercício da humildade, admitir erros é um destes atos. Ninguém nasceu sabendo, mas aprender é fundamental. Que se dispõe a ensinar tem que saber a aprender.
Me acalmo diante da persistência dos que erram em não admitem. Apenas busco e…

Pirataria faz de Apucarana um Caribe

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Durante a história da navegação nos séculos XVI a XVIII, o Mar do Caribe era considerado o paraíso dos piratas. Lá eram enterrados os tesouros saqueados, negociados prisioneiros e o esconderijo de muitos capitães temidos pelo comandantes das naos das nações europeias. Se fez histórias e lendas sobre baús, batalhas e mapas.
Mas se os piratas temidos e românticos da navegação já não existem mais, a pirataria não cessou, por sinal cresceu. No mundo da internacionalização da economia, determinados produtos e símbolos ganharam os "sete mares" do mercado. E os piratas não perdoam. Eles sequestram os símbolos e infestam o mercado com cópias fiéis e infiéis dos produtos que são desejos de grande parte dos consumidores em todo o mundo.
Em Apucarana, o Gaeco prendeu empresários e policiais envolvidos em uma rede de pirataria nacional. Até o delegado da cidade está envolvido. Os membros da segurança pública recebiam propina para encobrir a irregularidade. A proporção de empresas e empr…

Problema íntimo

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Acredito que o principal problema da educação brasileira esteja nas quatro paredes da sala de aula. Mais que as políticas educacionais, proposta pedagógica, administração de recursos, há um ser humano e suas relações na engrenagem que é a educação. O ambiente de uma sala de aula, em parte considerável das escolas brasileiras, em especial as instituições públicas nas regiões periféricas, é marcado pelo pacto da mediocridade. O professor e o aluno, ambientados no caos.
Parte considerável já vem de uma história no ensino onde se compactua com fazer nada para, também, não ser cobrado de alguma coisa. Nossa longa jornada de não exigência nos bancos escolares é um acordo velado e gera a comodidade de quem tem na escola um refúgio do fracasso profissional para o professor e uma obrigação mórbida para o aluno. Para o poder público deve gerar apenas números que expresso o avanço que não existe.
Fico triste pelos que tem competência e buscam méritos, lutam pela qualidade e querem vencer. Aquele…

Homoafetividade avança, apesar de Feliciano.

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Nesta quarta-feira (3) três fatos marcaram o dia, o Tribunal de Justiça do Paraná ampliou o direito dos homoafetivos, agora eles podem iniciar o processo de casamento da mesma forma que os heterossexuais, sem necessitar de uma autorização judicial. O outro fato foi a declaração da cantora Daniela Mercury que assumiu sua homoafetividade, ela declarou que se casou com uma jornalista baiana. O terceiro, que também ocorreu, infelizmente, veio do deputado Marco Feliciano (PSC), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, ele impediu que a população assistisse as reuniões da Comissão. Enquanto Daniela Mercury sai do armário, Feliciano não sai da Comissão de Direitos Humanos. A cantora de axé disse que está soltando o amor aos 7 ventos e espera que isso faça com que a lucidez chegue à Câmara dos Deputados. Foi um “tapa na cara” de Feliciano. Ela demonstrou a liberdade de escolha. Um direito de assumir a homoafetividade que parece ferir o presidente da Comissão de Dire…

Armados inconsequentes

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Em uma reportagem da Agência Brasil os números do desarmamento são positivos. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a venda de armas caiu 40,6% no país http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-01/venda-de-armas-de-fogo-caiu-406-apos-estatuto-do-desarmamento . Os dados demonstram, também, que apenas na região sul ocorreu um aumento na vende de armas entre 2003 a 2012. No restante do país houve queda. O desarmamento deu certo.
O porém da questão está em quem continua comprando armas no país. A maioria são homens, entre 20 e 30 anos, da Classe C e com pouca escolaridade. O perfil é emergente, de baixa qualificação. Acredito que pela falsa ideia de segurança, o que pode custar caro por não saber utilizar adequadamente o armamento. Porém, independente da faixa de idade, andar armado não é solução, nem resposta a insegurança. Uma ilusão considerar que a arma protege. A vítima mais provável do armamento é o dono.
A crítica que se faz aos n…