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A crise de autoridade

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Quem observa os noticiários sobre o poder político tem acompanhado a rivalidade entre o Poder Judiciário e Legislativo. Na prática excessiva do segundo a ação de combate do primeiro, fico com os de toga para não cair nas limitações naturais dos deputados. O Legislativo brasileiro não tem currículo. Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), pode, segundo alguns, estar tendo um surto de superioridade, mas se ele quer satisfazer o ego pessoal e exercitar o poder no máxima do sentimento cumprido em fusão com a “vingança”, apóio a ação.
O Congresso já demonstrou o interesse de podar a força do Judiciário sobre os seus atos. O Legislativo quer estabelecer regras próprias, acostumado a agir sem limites, agora se vê cerceado pelo Judiciário e reclama de abuso dos magistrados, mas quem sempre abusou foram os Deputados e Senadores. A questão partidária está no centro da discussão, tanto como um mal, como também um instrumento de controle que agora, neste momento, favorece o Executivo. Este não participa diretamente do embate, mas busca manipulá-la para tirar benefícios.
A campanha presidencial se antecipou e Dilma quer aniquilar seus adversários utilizando de todas as formas possíveis o seu maior aliado, o Congresso. Agora, diante da possibilidade do nascimento de novas siglas partidárias e do arranjo político através de alianças, que possam romper acordos de apoio ao governo, a Presidente se beneficia da guerra entre Legislativo e Judiciário.
Diante do quadro em que o poder se reafirma pela disputa entre os representantes públicos e os magistrados, a sociedade civil se mostra distante da vida pública, apenas assiste. Uma pesquisa feita pelo Instituto Paraná Pesquisa mostra que 51% dos curitibanos não participam de atos públicos, de mobilizações políticas. Quando participam é porque está ligada a temas polêmicos. Os moradores da capital paranaense não têm o hábito de fiscalizar as ações dos políticos que elegeram. Mas eles não estão sozinhos. É apenas uma amostra do país, que talvez tenha um índice maior de isenção de atividades políticas.
O quadro é histórico, já remonta nossas origens e, na atualidade, tem um novo ingrediente. Estamos diante da particularidade excessiva. A vida cotidiana exalta o interesse pessoal como fundamento das ações. A vida na sociedade de mercado mostra que estamos preocupados com nosso poder de consumo, nossa capacidade de financiamento, nossa aquisição de bens. As campanhas de dignidade associadas a mídia publicitária exalta a qualidade de vida que os bens e serviços expressam. A própria ameaça inflacionária, a falta de poupança e a demanda sem produção são alguns sinais de nosso colapso da particularidade.
Não é por acaso que as campanhas sociais feitas pelas empresas se generalizam. Muitos preferem a compra do produto que promove o bem social do que a ação de cidadania que exige comprometimento. Até na atividade política, ir ao mercado, ao shopping, tem mais significado do que a passeata ou o abaixo assinado. Podemos comprar, sem nos comprometer e adquirir o sentimento de cidadania ativa sem sair do lugar.

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