Pular para o conteúdo principal

O "sonho" pode acabar

Dados divulgados agora, nos primeiros meses deste ano, demonstram que alguns setores da economia estão crescendo acima da média. Os shoppings são a demonstração mais clara, eles cresceram 11% no ano passado. A expectativa é de que o setor expanda mais 45 unidades este ano e movimente R$ 1,2 bilhões. Perfumaria e higiene pessoal também cresce, 10% em média nos últimos cinco anos. Em 2012 o crescimento foi de 15,62%. Especialista consideram que longevidade e melhora na renda foram determinantes para a expansão.
Se considerarmos também o setor de eletroeletrônicos, o crescimento teve ajuda de incentivos fiscais e não há o que reclamar. Para se ter uma ideia, 25% foi o índice de crescimento na venda de fogões em 2012. A chamada "linha branca" teve incentivo fiscal, com a redução do IPI, ampliando o leque de produtos que puxou a expansão de muitas redes de supermercados, foi o caso do Condor, cresceu 23,12% no ano passado.
Mas isto tudo pode ser um reflexo tardio de uma economia que já apresenta problemas. A inflação tem se tornado uma ameaça e já demonstra seus efeitos no recuo de 0,2% no comércio varejista no início do ano. O recuo nas compras pode se acentuar na proporção em que o processo inflacionário cresça. Ou teremos uma reação de toda a economia ou o efeito cascata começará a derrubar os números empolgantes de alguns setores, que crescem acima da média mundial.
A reação vai depender de como a política governamental pode causar efeitos eficientes no quadro econômico fragilizado pela concorrência de produtos mundiais e uma falta de ambiente propício para o crescimento. A indústria é o setor em que esta condição fica mais evidente. Falta desoneração, gastar melhor o dinheiro público com investimento em infraestrutura e gerar uma cadeia produtiva que se alimente de um ambiente duradouro, não criado artificialmente com benefícios pontuais. Os programas sociais não podem ser mantidos para efeitos de sobrevivência imediata, mas para inclusão real da massa da população que está na condição de miséria.
Sempre é bom lembrar que não existe ilhas da fantasia na economia, por mais que dure a ilusão sempre haverá um momento em que se acorda, Podemos despertar para uma ação que permite manter parte do bom momento ou iniciar um pesadelo que as novas gerações ainda não conhecem, ver o poder de ganho se deteriorar com a inflação.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Paraná não é Maringá

Alimento pela cidade que eu nasci um imenso carinho. Maringá é uma cidade que se fez e se faz. Há realmente um espírito associativo. Ele é ligado ao meio privado, empresarial. Isto é fato. Mas tem um estímulo de organização e representação eficiente. O que faz de Maringá uma cidade diferente. E ela é. Em diversos índices a cidade está entre as melhores do país. Potencial de consumo, o qual é retratado pelo Anuário a Grande Região de Maringá, divulgado a cada dois anos pelo Grupo Maringá de Comunicação. Ele comprova isso. Os dados são levantados pelo IPC Maps. Lembrando que o Produto Interno Bruto da cidade cresce mesmo quando o país não.
O Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, o Codem, tem investido no planejamento em longo prazo. Agora, o Masterplan aponta para um crescimento até 2047, quando a cidade irá fazer 100 anos. Até agora, o planejamento teve um investimento de R$ 1,5 milhão. E vale a pena. Há muito mais por vir. E ele não tem custo para o poder municipal. O qua…

STF pode fazer justiça e ser inconstitucional

Não se pode ser ingênuo. O país vive uma legislação apartada da população. Para quem a lei vale? Não para todos. E se vale, as brechas na lei somente para alguns. A defesa dos réus permite a liberdade de quem pode recorrer. O julgamento do ex-presidente Lula não é um caso isolado, tem que ser entendido na histórica desigualdade de tratamento pelo poder em relação ao cidadão. A Constituição Federal, humana, permite desumanidades. No país teve inúmeras manifestações contra o ex-presidente Lula, na defesa da prisão em segunda instância e em defesa da Lava-Jato. O país clama por justiça. Mas o que é justo? Quando se pensa na corrupção dos homens públicos e os que deveriam ser presos a injustiça é maior. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. O dinheiro desviado por corrupção tira dos cofres públicos recursos vitais para salvar da miséria e da marginalidade muitos. Destes, os que acabam se transformando em bandidos e são presos sem dinheiro para recorrer a todas as instâncias. Q…

Conservadorismo não é nazismo

Vivo em defesa do bom liberalismo e dos bons conservadores. Me incomoda profundamente um país que confunde conservadores com extremismo e neonazismo. Esta defesa do extermínio, da perda de liberdade, da violência que combate a violência. Nada disso tem relação com a conservação das instituições, das leis e da liberdade. Há uma confusão entre a preservação das instituições e o radicalismo que prega o extermínio da oposição ou de tudo o que se opõe. Na limitação de compreender a dinâmica do poder e que fundamenta nossas mazelas, há os radicais que consideram a destruição a melhor saída. Não é! A ousadia é mudar dentro do que se tem de mais precioso, a democracia.
Incrível perceber que radicais desejam o retorno da ditadura. Ao mesmo tempo há os que defendam a eliminação dos políticos de esquerda e, outros, até da própria esquerda. A implantação de um governo autoritário é típica da pobreza submissa do latino-americano. Faz parte das raízes de um continente governado por caudilhos, noss…