Uma das principais propagandas do atual governo é o trabalho. Ele gerou no país um dos argumentos positivos para um bom momento econômico que agora se encontra ameaçado pelo processo inflacionário crescente. Mesmo a geração de emprego está desacelerando. Contudo, o ano passado (2012) ficou para a história, foi o ano com o menor índice de desemprego do país, 4,6%.
Mas na aparência dos números há uma ameaça oculta. O trabalho não é só quantidade, ele é, também, um hábito, um sentido, uma cultura. Associada a atividade profissional está a emancipação do indivíduo e a perspectiva de continuidade da vida em sociedade. Os principais teóricos sociais desenvolveram suas teses levando em consideração o papel que o trabalho desempenha na vida coletiva, a principal atividade humana.
Do positivismo de Comte, ao estruturalismo de Durkheim, ao materialismo histórico de Marx, ao pré-existencialismo de Weber, o trabalho sempre foi um tema necessário para a compreensão da produção da vida coletiva.  O trabalho gerou tudo o que temos a nossa volta.
Hoje, há uma relação complexa de produção que envolve, muitas vezes, uma cadeia internacional mantendo a vida em diversos cantos do Planeta.  Os produtos mundiais se multiplicam e estão em nossa intimidade. Mas se formos fazer a cadeia que permitiu os produtos estar próximos a nós, o trabalho está lá.
Para esta condição complexa de produção a qualificação é o divisor de águas, a grande diferença. Ela é a resposta a pergunta básica: “Para que você serve?” No passado, a crise existencial não tinha espaço na particularidade, se existia um colapso, ele era coletivo. Hoje nos damos ao conforto de questionarmos nossa própria existência. Porém, o trabalho sempre é uma resposta a dúvida do porque estamos aqui.
Amanhã é o Dia do Trabalho, mas hoje, e em todos os dias, vivemos o culto ao ócio. O estímulo ao desejo desassociado das condições que o produzem. Estamos a espera do prazer sem, ao menos, entender o custo laboral que ele exige. Pelo menos, amanhã, seria um bom dia para pensar no trabalho, já que muitos não conseguem esquecê-lo o ano inteiro e outros nem sabem que ele existe.

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