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Problema íntimo

Acredito que o principal problema da educação brasileira esteja nas quatro paredes da sala de aula. Mais que as políticas educacionais, proposta pedagógica, administração de recursos, há um ser humano e suas relações na engrenagem que é a educação. O ambiente de uma sala de aula, em parte considerável das escolas brasileiras, em especial as instituições públicas nas regiões periféricas, é marcado pelo pacto da mediocridade. O professor e o aluno, ambientados no caos.
Parte considerável já vem de uma história no ensino onde se compactua com fazer nada para, também, não ser cobrado de alguma coisa. Nossa longa jornada de não exigência nos bancos escolares é um acordo velado e gera a comodidade de quem tem na escola um refúgio do fracasso profissional para o professor e uma obrigação mórbida para o aluno. Para o poder público deve gerar apenas números que expresso o avanço que não existe.
Fico triste pelos que tem competência e buscam méritos, lutam pela qualidade e querem vencer. Aqueles que não se limitam ao que são e querem ir mais longe. Os que jamais aceitaram o pacto da mediocridade da escola só porque, quando chegaram, estava assim. Mas estes, infelizmente, não são o padrão da sala de aula. Fazem da passagem pela escola um exercício da persistência e obstinação, chegam em suas metas apesar das pessoas com quem conviveram.
Porém, não quero deixar de falar dos heróis, um deles que tem todo o meu respeito, os bons professores. Eles educam e se aprimoram, os que persistem na escola é por considerarem que não podem sair do campo de batalha, pois desistir do combate é deixar a mediocridade vencer. Contudo, outros bons professores seguem sua jornada e procuram um lugar que os reconheçam, quase sempre estão de passagens. Felizmente eles existem, o sonho é que sejam a maioria e, que um dia, fiquem.

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