"Cura Gay"


Exatamente, a possibilidade de se votar na Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, na próxima quarta-feira (8) a inconstitucionalidade de dois artigos da resolução do Conselho Federal de Psicologia sobre a homossexualidade. O primeiro é sobre a proibição de psicólogos tratarem a homossexualidade como uma patologia e o segundo sobre a manifestação de profissionais da área sobre o tema. O CFP pretende impedir a homofobia como uma prática dos psicólogos e consideram importantes os dois artigos, mas a CDH da Câmara de Deputados pode invalidá-los.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, Marco Feliciano, considera que os dois artigos ferem a liberdade profissional. O Deputado Anderson Ferreira (PR-PE) pensa desta forma e deu parecer favorável ao projeto. Outro que se coloca nesta posição é o tucano João Campos, que foi o autor do texto. Para eles, as pessoas tem o direito de se tratarem daquilo que acham necessário, se alguém quer deixar de “ser gay” tem o direito disso.
Diante do absurdo e desconhecimento de causa, a Comissão de Direitos Humanos pode literalmente legalizar a “cura gay” e iniciar um alistamento de profissionais de qualidade suspeita, estimulados a iniciarem uma homofobia dentro de clínicas de psicologia.
Uma voz lúcida sobre o tema foi a do presidente do Conselho Federal de Psicologia, Ivan Augusto. Ele afirma que não há nenhuma comprovação de que a homossexualidade seja uma patologia. Também considera que nunca viu ninguém se tratar para se livrar desta condição. “Ela, é uma cura, não um problema”, afirma Augusto.
“Heterofobia”
Mas para não deixar de dizer, Marco Feliciano, também, quer votar na CDH da Câmara dos Deputados um projeto que pune quem pratica a heterofobia, ou seja, preconceito contra heterossexuais. Segundo Feliciano, ele acredita que todos tem o direito de ter suas escolhas e identificações respeitadas. Bom, ele acaba de dar “um tiro no próprio pé”. Só se pode combater o preconceito, combatendo o preconceituoso. Logo, para admitir que haja rejeição, tem que se reconhecer quem rejeita. Este é exatamente quem Feliciano não reconhece os direitos, os homossexuais. Mas, além desta, há tantas outras formas de identidade e gênero sexual que muitos desconhecem.
Racionalidade
Émile Durkheim, um dos pensadores clássicos das ciências sociais, considera que as categorias profissionais e as instituições que representam sua organização têm o direito de estabelecer regras éticas para garantir a melhora nas relações sociais através de uma atuação racional do profissional. O que estão tirando dos psicólogos é o poder de orientar a ciência para a melhora das relações sociais. Elevar o valor moral da profissão é garantir a sociedade o compromisso com os interesses coletivos, e não com os particulares fundados em misticismo, considera o pensador francês. Mas, infelizmente, esta discussão não está a  altura de Feliciano e seus aliados.

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