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Impasse


Não é fácil ter sido criado para ser o provedor. A figura masculina tem seus dilemas. Quem tem mais de 40 anos sabem ao que estas palavras se referem. A responsabilidade sobre aqueles que geramos pesa, mesmo que a nossa vida esteja em jogo.
Aprendi com meu pai, e talvez ele com meu avô, que um homem deve ir até as últimas consequências para criar seus filhos, para não deixar que nada falte em sua casa. A responsabilidade sobre os atos pesam em quem foi criado para ser o eterno sustentáculo da vida privada. Sacrificar a vida para que os outros vivam.
Mas o que vem por aí é diferente. Os que hoje estão chegando a fase adulta não terão este peso. Mas temo de que vá embora com a leveza a responsabilidade necessária pelos atos.
Se tenho este hábito ruim de não ter limite para o sacrifício, fico preocupado com quem considera não ser necessário fazer sacrifício nenhum. Há em muitas casas de quarentões dispostos a prover a prole, os que se deliciam dos benefícios e não reconhecem o sacrifício.
Há uma angústia ao se relacionar com os “herdeiros sem herança”. O diálogo é surdo, eles não falam a mesma língua, quase sempre, não estão atentos a mesma coisa. Enquanto os provedores tentam demonstrar que o benefício é um possibilidade oferecida sem peso, os que se apropriam consideram uma obrigação a condição permitida, não há o que agradecer, apenas receber.

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