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Poder, vaidade, abuso e a chance de mudar o país

Estamos vivendo uma crise econômica e de abuso de autoridade, isto todo mundo sabe. O interessante é quando as duas se cruzam, se alimentam e geram possibilidades de melhora na administração dos gastos públicos, além de promover uma justiça salarial no funcionalismo do Estado.
Está tramitando no Senado e de forma rápida duas medidas. A primeira pretende acabar com o salário vinculante que garante aos funcionários do Poder judiciário serem beneficiados com um reajuste dado aos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a outra quer conter o abuso de autoridade dos agentes públicos.

Uma reunião ontem, quarta-feira, entre a presidente do STF, ministra Carmem Lúcia e a chamada “comissão extrateto” surtiu efeito. Tudo indica que a concordância com a medida. O próprio presidente da República, Michel Temer, apoia o ato. Para ele, deveria ser estendido a todos os poderes. Que coisa! Quem diria?

Neste debate o “teto constitucional” para as remunerações do funcionalismo público deve ser observada e, parece, ter apoio da maioria.

Dentro da lógica de colocar limites no reajuste do funcionalismo está a intenção de ressuscitar o Projeto de Emenda Constitucional 62/2015, de autoria da senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR). Nele se desvincula os reajustes entre os servidores públicos. Que coisa, uma senadora petista contribuindo para uma economia no governo peemedebista. Quem conciliação às avessas!

Mas vamos em frente. Outras medidas parecem ganha fôlego neste contexto, algumas que não tem consenso e desagrada os membros do Poder Judiciário. Uma delas é sobre o “abuso de autoridade por agentes públicos”. A medida seria, como a anterior, uma retaliação do presidente do Senado, Rena Calheiros, as investigações, buscas e apreensões feitas pela Polícia Federal, atendendo a ordem judicial, dentro do Senado.

Calheiros era autor da própria peça e deu a relatoria a outro membro do senado que é investigado pela Operação Lava-Jato, Romero Jucá (PMDB/RR). Contudo, agora, a relatoria ficará a cargo de um tradicional questionador dos benefícios e mordomias do Judiciário, o senador Roberto Requião (PMDB/PR).

Ao final de tudo isso, e o que é mais interessante, é que podemos assistir a queda de abusos de poder, gastos excessivos, fim de supersalários e economia, afinal de contas, onde mais se deve economizar, por uma briga de poder e vaidade.

Não por acaso, se diz que a vaidade é o maior pecado do ser humano. Nestas horas que penso o quanto o mal pode ser uma boa arma para o bem.

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