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O poder no Brasil

Por que não aprendemos a lição? Quando se fala de política a razão é simples, nós estamos atentos aos personagens e ao momento. Temos que ficar mais atentos a lógica do poder. Há uma relação constituída de forma tradicional que garante a tendência do poder para determinados fins e grupos.

Assistindo as denúncias que tomam conta dos meios de comunicação sobre políticos envolvidos em corrupção, mas principalmente com “caixa 2”, temos a oportunidade de aprender a lógica da sustentação do poder. Mas será que conseguimos perceber diante da oportunidade?

No Brasil, a constituição do Estado se estabelece na própria formação do território colonial. Lá, nos primórdios do estabelecimento da estrutura colonizadora se dava os primeiros passos para alicerçar o poder. Isto se deve, em grande parte, pela forma como nossa “emancipação” se estabeleceu. D. Pedro I era filho do D. João VI. O primeiro imperador do Brasil foi ser rei em Portugal.

Na independência monárquica que o país viveu se estabeleceu diante dos acordos entre a aristocracia comercial e agrária com o Estado centralizador, mas forte aliado para fazer crescer os empreendimentos beneficiados pelo Estado. Hoje, o que estamos vivenciando com as denúncias em relação a Odebrecht não é diferente. É mais do mesmo.

Vale entender que a normatização, a legitimação, a implantação da Constituição, fez do Estado Brasileiro, independente, a garantia da permanência do acordo. O avanço legal nunca foi real. A lei que respaldou os atos de abusos e excessos do poder sobre a sociedade sempre foi de via única, de cima para baixo. A lei respalda o ato do mando pela ignorância popular e o excesso de “saber” dos magistrados.

Não por acaso, Weber considera que os advogados são, via de regra, bons políticos profissionais. Conhecer a racionalidade legal da estrutura de mando colabora para a perpetuação do poder. Sem esquecer que a construção do poder não é apenas racional.

Para uma sociedade, com a nossa, embriagada pela ignorância e inúmeras carências, a relação com o poder se embriaga de tradicionalismos perniciosos e carismas excessivos. Há uma aceitação do mando de determinados grupos como se fossem natureza dinástica e, ao mesmo tempo, a identificação com personagens tendenciosos de poder de identificação, o tal do carisma.

Realmente é preciso aprender com a oportunidade. Se queremos mudar é preciso entender o peso e a profundidade da mudança.



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