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Corrupção é relação e não relacionados


Temos que parar de nos ater as pessoas e sim as relações. São elas que abrem espaço para os atos perniciosos que queremos combater. O mau caráter do homem público é fruto de um ambiente onde seus atos são estimulados e proliferam.
As vezes cansa, mas sempre envergonha ter que observar o quanto se rebate uma verdade com uma mentira. Ridículo o quanto se tenta fazer com que se aceite o improvável em nome de uma governabilidade contaminada, corrompida.
O presidente Michel Temer foi flagrado em uma gravação clandestina conversando com o proprietário do Grupo JBS, o maio grupo privado do país, falando sobre propina, pagamento de mesada a Eduardo Cunha, compra de promotor e juiz. Temer concordou com tudo, disse: “Tem que manter isso aí, viu!”.
Diante dos fatos, não há o que fazer. O presidente deveria aceitar a situação, ele deveria renunciar. Mas ele não dá sinais que pretende sair. Temer argumenta que sua presença é sinônimo de retomada do crescimento. Por sinal, argumento que usa para justificar sua permanência.
O que está em questão não é o ato isolado do presidente da república, o que por si já é uma vergonha. A relação perniciosa entre os representantes públicos e as empresas. O número de políticos financiados pela JBS, que não é a única a fazer isso, é imenso. Políticos dos mais diferentes partidos, estados e cargos públicos recebem propina. Esta é a questão a ser debatida.
Ricardo Maia, o presidente da Câmara dos Deputados, seu sucessor natural, é outro envolvido com esquemas tão obscuros quanto o presidente. Maia tem mais de 10 pedidos de impeachment do presidente. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também já protocolou o seu. E agora? Maia demonstra claramente que não vai abrir nenhum deles, vai negá-los. O argumento deve ser o mais pífio possível.
O que nos condena não são os condenados, são os que praticam o crime sem temer qualquer punição. Este é o problema da vida pública, dos crimes cotidianos, a ausência de consequências para os criminosos.
Difícil aceitar assistir a todos os dias trabalhadores demitidos, empresas fechando, pessoas recebendo pouco mais de R$ 900,00 como salário mínimo e ter que ver milhões de reais tratados como se fossem trocados, dinheiro corriqueiro, a dimensão do lucro que a propina a políticos gera para as empresas que a pagam. Aqui, não se iluda, o dinheiro dado a políticos retorna, corrupção neste contexto é investimento.

Gilson Aguar comenta a relação entre empresas e o poder público.

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