Demagogia contagiante

Países latino-americanos costumam transformar seus líderes em messiânicos. Na política o exercício é comum e perigoso. No Brasil, o endeusamento de personagens arruína a causa que tanto defendem. Com o juiz Sérgio Moro isto pode ocorrer.
Quando vamos aprender a preservar as instituições e não idolatrarmos os personagens. Há uma tendência em nossa formação de colocarmos pessoas acima de suas funções. Isto não faz bem. Se queremos garantir nossos direitos, defender a democracia e exigir representatividade, a regra deve valer mais que as relações. Há um contrato assinado entre a sociedade e o Estado.
Vamos usar como exemplo a Operação Lava-Jato que está em andamento e tende a trazer ao banco dos réus homens públicos e empresários. Criminosos devem ser punidos. Porém, todo mundo tem direito a defesa. As provas dos atos ilícitos são parte vital para o andamento de processos e a transformação do suspeito em criminoso.
Agora, o que assistimos, de forma perigosa, é a transformação de inquéritos em programas televisivos. O depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro era um programa esperado e anunciado. O próprio juiz federal veio aos meios de comunicação pedir para os apoiadores da Operação Lava-Jato não irem a Curitiba se manifestar. Foi uma guerra midiática.
Nos depoimentos do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura estamos vendo o quanto vale a publicidade dentro de uma campanha eleitoral. Construir personagens públicos, transformar pessoas em produtos para seduzir o cidadão inconsciente dos papéis constitucionais que o seu eleito vai exercer.
Precisamos mudar esta lógica em nossa vida. Quando criticamos Lula e seu personalismo, sua habilidade política, a capacidade que o líder petista tem de uma retórica demagoga, temos que lembrar que esta prática encanta o desinformado. Associar a corrupção a um pai que não fica sabendo da nota vermelha do filho na escola pode ser infantil, mas para uma parte considerável da população a explicação é suficiente.
Temo também, o quanto a sociedade se esforça para fazer de Sérgio Moro um ídolo. A busca de dar a ele uma áurea de abençoado. A idolatria ao ser humano pode desconectá-lo de sua função. Meu medo, que de tanto se buscar o endeusamento, o juiz se convença e acredite que seja iluminado. Quando isso acontecer, sua causa, sua luta estará arruinada. E ele ficará cada vez mais parecido com aqueles que ele interroga e que, alguns, estão no banco dos réus.

Gilson Aguiar comenta idolatria perigosa

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