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E agora?


Temer mostra intimidade em conversa gravada com proprietário de frigorífico. Um diálogo marcado pela declaração de atos ilícitos. Em vez da renúncia, o presidente diz que não sai. Por outro lado, há quem queira a ascensão da farda para resolver nossos problemas. E agora?
A grande questão para o país após a denúncia do dono da JBS, Joesley Batista, na qual o presidente Michel Temer apoia o pagamento de mesada para se ter o silêncio de Eduardo Cunha, é “para onde vai o país? ”
A presença de Michel Temer na presidência da república parece algo surreal. Em qualquer lugar onde o comportamento ético tivesse o mínimo de consideração o presidente já teria renunciado.
Se o próprio presidente, quando fez um pronunciamento para dizer que não sairia da presidência, argumentou a recuperação econômica como o fator forte de seu governo, até mesmo para não destruir o que fez deveria renunciar.
No mesmo momento que Temer fazia o pronunciamento a Bolsa de Valores de São Paulo já apresentava forte queda. Após a fala, caiu mais ainda. Agora ele se transformou em um problema da economia que tentava reaquecer.
Dentro do próprio governo, muitos querem desvincular os atos ilícitos do presidente e a equipe econômica. Mas isto é impossível. Temer não tem mais um ambiente político para sua permanência.
Porém, mais uma vez um, o Brasil tem uma lógica que se denuncia a cada passo da crise, e que é decepcionante. A descarada conversa íntima do presidente com um empresário que diz comprar promotores e juízes, que fala em pagar dívida com Eduardo Cunha na prisão, é no mínimo cumprisse da ilegalidade feita pelo empresário.
De outro lado, diante da crise, os militares dizem que se preocupam e que podem intervir se a crise se aprofundar. Se isso acontecer, nós somos uma república de bananas, de segunda categoria, sem vergonha e sem caráter. Se precisarmos que golpe militar para resolver nossos problemas, se militares são mais eficientes para governar um país, vamos assinar nossa incompetência. Aí sim, estamos vivendo na “República do Jardim da Infância”.
O Golpe de 1964, que já foi um erro, tinha um contexto mundial da Guerra Fria, da polarização entre norte-americanos e soviéticos, uma guerra ideológica. Se falava do “perigo comunista”, do “perigo vermelho”. O temor de um governo de esquerda. Agora, não temos nada disso. Os comunistas morreram de inanição. Já a democracia no país, se tivermos um golpe militar, será um atestado de idiotice, uma infantilidade generalizada.
Assim, se alguns temem o que o mundo pensa do país, de ser corrupto, se confirmará a nossa pobreza humana.

Gilson Aguiar comenta a permanência de temer e o desejo de um "golpe militar".


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