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Futuro Incerto


Estudante que impressionou por fala em defesa da educação na Assembléia Legislativa do Paraná defende Lula e se filia ao PT. Este é o nosso futuro?
Para onde vamos? A pergunta no atual momento é pertinente. O país vive contradições. Por um lado, Temer completa um ano à frente do governo federal. Impopular, o atual presidente conseguiu domar a inflação. Também, é obra sua, frear o aprofundamento da crise, colocar reformas na pauta e garantir uma estabilidade mínima no ambiente econômico. Mas ele está longe de ter chegado onde queria.
 O ambiente de crise política continua a se aprofundar. O número de delatados e delatores aumenta. O encontro entre Lula e Moro se realizou no grande estilo que se esperava. A racionalidade e a retórica dialogaram. O ex-presidente não poupou estratégia para se livrar das acusações sobre a compra e propriedade do Tríplex do Guarujá, até mesmo a ex-mulher. Dona Marisa Letícia não está mais aqui para se defender.
Já os marqueteiros João Santana e Mônica Moura abriram a “caixa de ferramenta”. Estão fazendo acordo de delação e colocando na mesa o envolvimento do ex-presidente Lula e a ex-presidente Dilma com esquemas de caixa dois. Segundo o casal de marqueteiros, eles sabiam de tudo, comandavam esquemas de pagamento de campanha eleitoral de forma ilegal.
O que vai acontecer?
Ontem, o futuro deu seu sinal. A estudante secundarista Ana Júlia Ribeiro, que emocionou a população defendendo a ocupação nas escolas e a educação diante dos deputados paranaenses, na Assembleia Legislativa, saiu em defesa do ex-presidente e, até, se filiou ao PT. Chegou a subir no palanque com Lula, depois do depoimento que o petista deu ao juiz Sérgio Moro.
Ana Júlia é jovem, e terá tempo para se arrepender. Mas ela é a demonstração de uma juventude que quer acreditar na lógica ultrapassada da briga entre os “bons” e os “maus” que a esquerda messiânica latino-americana prega. Este raciocínio de “anjos” e “demônios” não existe. Talvez, seria importante discutir com os jovens a lógica do poder. A falência da democracia diante dos vícios das relações que sustentam a busca pelo mando. Na qual, o petista que se diz perseguido faz parte.
Repito e repetirei sempre, temos que parar de olhar os personagens e nos atermos mais a lógica que os sustenta. Se queremos aprender alguma coisa com o momento incerto que estamos atravessando, devemos romper os vícios da relação e não ficar apontando os viciados.
Temer está no poder, indesejado. Os partidos políticos continuam monopolizando os que devem ou não ser eleitos. Campanhas eleitorais valem fortunas e fazem de idiotas homens públicos por marqueteiros bem pagos, como João Santana e Mônica Moura, constrói mentiras em embalagens sedutoras.
E nós, como a jovem Ana Júlia, continuamos manipulados por esta educação rasa que menos discute a lógica das relações e mais quem está se relacionando. A educação cheia de populismos e paternalismos típica da inércia que nos domina.
Um dia, eu acredito, vamos aprender, que o ser humano tem um poder imenso de mudança. Vamos entender que ilusão dos ambientes de consumo também são usados para a manipulação do eleitor. Vamos entender que estamos vivendo uma democracia estética e nos impressionamos mais com o espetáculo do depoimento e a ação do juiz diante do demagogo do que com a lógica que constrói a aparência enganosa.
Mas, como dizia minha avó, há quem aprende com o exemplo e pensa no que está acontecendo e outros, desiludidos e insistentes, que irão sofrer o bastante para aprender com os erros.

Gilson Aguiar comenta o futuro diante da crise política no presente




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