O futuro vândalo


Um jovem destruía a socos a placa em frente ao prédio da Câmara Municipal. O que isso significa?
Tem horas em que um único fato pode denunciar muitas coisas. Neste sábado, andando de bicicleta, ao passar em frente à Câmara de Vereadores de Maringá, presenciei um jovem, que não teria mais que 18 anos, com um corpo bem avantajado, socar até destruir quase que por completo a placa de identificação do legislativo municipal.
O rapaz só foi contido com a chegada de um cidadão, que saiu de dentro do prédio Câmara Municipal, e a minha.
Num gesto de arrogância, o espancador de painéis fez um gesto de desprezo com os ombros, montou em sua bicicleta e se retirou as pressas.
Seria um atentado ao legislativo municipal? Seria o jovem um ativista político ou em defesa do meio ambiente irritado com a falta de políticas públicas para os temas que defende? Estaria ele demonstrando desprezo pela ordem política e em defesa de uma nova organização do poder? Seria ele um comunista? Seria um liberal? Seria um nazifascista?
Para todas estas perguntas a mesma resposta, não. Eu defendo mais a tese de ser um animal.
Não quero com isso deixar aqui apenas a ofensa, por mais que merecida. Mas entender que o que moveu aquele aparente ser humano foi mais o instinto. A busca do prazer de viver através de um ato animalesco e sem fundamento. O pior é que ele não está só.
Há uma propagação da mentalidade imediatista fundada na satisfação de viver sem futuro. Esta falta de sentido no futuro constrói os bandos de animais que transitam no ambiente humano, civilizado.
O que construímos ao longo do tempo, a civilização na qual vivemos, foi fruto de uma longa jornada de ações racionais e lógicas. Se temos dificuldade de ter de forma satisfatória a saúde, a educação, o saneamento e a segurança, não será na destruição do bem público que isto será solucionado.
Contudo, o jovem humano e animal não consegue perceber esta dimensão. A falta de compreensão da complexidade de nossa civilização o faz agir brutalmente.
O temor do ato presenciado não é uma exceção. O que buscamos salvar não é apenas o patrimônio público, é o futuro. Ele está ameaçado por um número de seres humanos que se rebaixam mentalmente e iniciam uma rasa compreensão da sociedade e de tudo que lhe cerca.
São destes serem brutais que surgem os fatos de violência que se multiplicam cada vez mais em nossa frente. A ignorância nos fará presa do homem que virou bicho e deixará para trás o bicho que virou homem.



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