Paz e Guerra: duas faces do aparato de segurança

Policiais militares fazem treinamento com "canções" de exaltação a violência. Para muitos um abuso, mas para outros uma inspiração. A questão é: qual o dom para ser policial? Preservar a paz ou exaltar a violência?
Viraliza na internet um vídeo que mostra policiais militares com sua “canção TFM”, para entender melhor, canção de Treinamento Físico Militar”. A letra da canção tem os seguintes dizeres:
“Eu miro na cabeça, atiro sem errar
Se munição eu já não tiver, pancadaria vai rolar
Bate na cara, espanca até matar
Arranca a cabeça e explode ela no ar
Arranca a pele e esmaga os seus ossos
Joga ele na vala e reza um Pai Nosso.”
Muitos ficaram indignados com uma letra agressiva do aparato de segurança. Um culto a violência por uma instituição que deve contê-la.
Em conversa com especialistas e pessoas ligadas ao aparato de segurança, a maioria das conversas informais, há afirmação de que este tipo de prática é comum. Em vários lugares no mundo o canto de louvor a violência está na boca do ser humano de farda.
Mas temos que lembrar que o Estado tem o legítimo direito do uso da força. O aparato de segurança é um dos seus agentes deste uso. A governabilidade implica como ação final a repressão física. Até mesmo, o direito de matar.
O canto estimulante no treinamento e formação de policiais militares dá o tom e o sentido do porque se deseja a profissão. Gerar força de ação para conter o que se espera. O PM se prepara para a guerra constante e histórica de uma sociedade carregada de problemas insolúveis que alimentam a violência no país.
A falta de escolas, hospitais, saneamento e, mais do que nunca agora, emprego, leva a repressão militar ao seu uso constante. Onde não há civilidade e não se cumpre lei, impera a guerra.
Se esperamos um policial mais civilizado, formado para usar a força como última alternativa, eles existem, mas não são a maioria da corporação. Se para muitos policiais a violência o repugna e considera que sua função e contê-la, para outros, é melhor parte da profissão. E, para estes, foi isso que os inspirou a ser policiais, foi isto que os chamou para vestirem a farda.
Nas ruas, os dois tipos de policiais não podem ser diferenciados esteticamente, como saber quem vai entrar em ação? Para quem cruzar o caminho só saberá quando a ação correr e, aí, pode ser tarde demais.

Gilson Aguiar comenta canção de treinamento da PM.

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