"Santa" delação

Joesley Batista, proprietário da JBS, fez delação premiada ao Procuradoria Geral da República com regalias. Imunidade, multa baixa, manutenção das atividades e a possibilidade de sair do país. Por que de tanta regalia?
Não se pode negar, um dos proprietários do Grupo JBS, Joesley Batista, fez uma negociação vantajosa para denunciar políticos envolvidos em propina e abuso de poder, assim como, caixa dois. Uma gravação que permitiu ao sócio da JBS ganhar, inclusive, dinheiro com compra de dólares através de especulação financeira.
Agora, todos perguntam, por que Joesley teve tantas vantagens?
Ele pode manter sua atividade profissional, não terá que usar tornozeleira eletrônica, poder sair do país, pagará uma mulata leve, de R$ 110 milhões, pago em 10 vezes, começando no ano que vem. Além de tudo isso, os empresários da JBS terão imunidade em processos que estão em investigações na Polícia Federal, entre eles a Operação Carne Fraca.
A empresa se saiu bem, será pouco ferida diante do estrago aberto dentro da vida pública e econômica do país. Dos inúmeros benefícios recebidos o que tem que pagar é leve. Neste caso o crime compensou. A delação premiada foi literalmente um prêmio para o criminoso.
Claro que as denúncias da JBS são importantes, trouxeram à tona o caráter do poder. Assim como a Odebrecht, que por sinal terá que pagar uma indenização 20 vezes maior, as denúncias das empresas dão uma lição dos “porões do poder”. Mas o criminoso também é quem denuncia.
Não se isenta o presidente, não se isenta o senador ou o deputado. O representante público envolvido deve pagar. Eles são muitos. Bem mais do que estão aparecendo. Há também inúmeras empresas que se beneficiam do mesmo esquema de JBS, Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, etc. Há muito dinheiro público que serviu e serve para ampliar o patrimônio privado de forma ilícita.
Contudo, não se pode usar dois pesos e duas mesma medida. Para uns o rigor da lei, para outros o benefício por ser dedo-duro, que também é criminoso. Joesley é mau exemplo, é criminoso, assim como, quem com ele colaborou e se associou nos crimes que cometeu. A Procuradoria Geral da República errou na medida, nos perdoes e benefícios ao dono da JBS. Resta saber por que.

Gilson Aguiar comenta as benesses da delação premiada da JBS.

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