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Mostrando postagens de Junho, 2017

O dinheiro sumiu

Em uma economia fundada no capital financeiro, as instituições financeiras usam da sedução ao consumo para propagar o endividamento. Medida Provisória do governo federal dá aos comerciantes a possibilidade de cobrança com valor diferenciado conforme a forma de pagamento. Se for em dinheiro, pode ter mais desconto. Parte dos consumidores considera que a medida prejudica. O principal motivo é que o preço dos produtos pode aumentar no pagamento em cartão. Os comerciantes podem maquiar os preços e não dar desconto algum. Já os defensores da medida afirmam que ela pode dar maior poder de compra a quem paga a vista e forçar as empresas de cartão de crédito a reduzir seus ganhos para gerar competitividade com os preços pagos em dinheiro. A livre concorrência regularia o mercado dando a ele mais competitividade. Entre as duas posturas, eu fico com a segunda. Porém, vale algumas observações. Nós estamos iludidos com os preços que são iguais, seja com pagamento a vista, com dinheiro, cartão de …

Nossa formação denuncia quem somos

A formação brasileira tem peculiaridades. Entre elas a forma autoritária da formação do Estado Nacional. Ainda hoje se expressa a dependência do estado para o sucesso das empresas econômicas. Quando falamos da formação de um Estado Nacional é preciso entender suas particularidades. Nós temos a nossa. Ser brasileiro tem peculiaridades. E as diferenças e singularidades estão desde nossa formação enquanto povo. Nossa origem de diversidade e autoritarismo. Se por um lado na formação do povo brasileiro há um encontro entre elementos distintos. O encontro entre “brancos”, “negros” e indígenas. As formas como estes encontros se deram foi variada. De forma mais intensa ou não, as composições foram diversas. Foi o Estado autoritário que impôs a unidade de tamanha diversidade nas diferentes regiões. O Brasil é uma colcha de retalhos costurada a linha de ferro da imposição de um poder central que garantiu o domínio sobre o território que se impôs sobre o povo. Somos fruto do Estado autoritário, …

Quem não deve não teme

Instituições de ensino superior públicas serão fiscalizadas pelo TCE. Há indícios de irregularidades nas universidades. 7 serão investigadas. A medida é positiva e deve ocorrer em todas as instituições públicas. Saber quanto se gasta e com o que se gasta o dinheiro público é um direito do cidadão.
Tribunal de Contas do Estado (TCE) irá fazer auditoria nas universidades estaduais do Paraná, sete serão auditadas. A intenção é levantar irregularidades nos gastos que venham a se caracterizar uso indevido dos recursos públicos. Segundo o coordenador geral do TCE, Mauro Munhoz, o governo investe nas universidades uma quantidade significativa de recursos que precisa ser fiscalizada para bom uso. E segundo ele, há indícios de irregularidades em algumas das instituições de ensino superior mantidas pelo governo paranaense. O reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Mauro Baesso, está tranquilo diz que são feitas auditorias, fiscalizações constantes na instituição. Segundo o reitor, a …

O Peso da Democracia

Políticos custam caro, querem mais, e representam pouco. A democracia é a melhor forma de descobrir o peso da representação e seu valor. Por isso, cabe a nós dar um basta à isto. Claro que parece uma loucura pensar em política sem partidos. Mas de certa forma, a institucionalização dos partidos no Brasil exige medidas como esta. Não significa acabar com as agremiações partidárias da forma que as conhecemos e sim acabar com os modelos partidários que temos. Há um monopólio do poder e de possibilidade de representatividade por causa dos partidos. Eles são verdadeiras instituições seletivas que inibem a formação de uma representação social legítima. Os caciques políticos filtram interesses dentro do partido, eliminam possibilidades de tomada do poder dos diretórios municipais, estaduais ou nacionais. Há um grupo seleto que direcionam os interesses partidários traindo até mesmo que é filiado. Não por acaso ser um homem público é uma profissão. Estabelecer uma carreira partidária implica e…

Lucidez de farda

General que comanda o exército considera um retrocesso pensar em intervenção militar para resolver a crise política. Quem disse que quem usa farda não tem consciência. O comandante das Forças Armadas, o general Eduardo Villas Boas, condenou qualquer intervenção militar para resolver a crise política do país. Para ele, há, inclusive, um uso excessivo dos militares para conter manifestações sociais. Villas Boas defende a democracia. Para ele, o papel das Forças Armadas é garantir a Constituição e não a corromper. O general acredita que é lamentável que parte dos manifestantes nas ruas desejem o retorno dos “tempos de chumbo”. O general está coberto de razão. Esta postura de um oficial do exército em uma pais acostumado a misturar farda e poder ao longo de sua história é uma esperança de avanço e superação. Dentro das forças armadas sempre existiu uma divisão entre constitucionalistas e golpistas. Nos anos de Guerra Fria (1945 a 1989). Ninguém pode esquecer que a Independência do Brasil (…

Políticos ou drogas, o que combater?

Polícia Federal reduz combate as drogas e foca no combate aos crimes do colarinho branco. É uma questão de escolha? Podemos chegar ao mesmo lugar por caminhos diferentes? Relatório apresentado pela própria Polícia Federal aponta a queda na apreensão de drogas a partir de 2014, quando começou a Operação Lava-Jato. Segundo os dados, o ano de 2013, foi o de maior apreensão do aparato de segurança, 41,7 toneladas. No ano seguinte caiu para 33,8 toneladas. As operações também diminuíram o ano passado. Para piorar, se considera que diante do ambiente, 5% das drogas que circulam no país são apreendidas. O Brasil, segundo relatório da Organização das Nações Unidas, é uma das principais rotas do tráfico de drogas. Para se ter uma ideia, mais de 50% das drogas consumidas no Sul da África, Ásia e Europa, passam pelo país. Se considera que um dos fatores que determina esta queda no combate as drogas, é que a Polícia Federal tem se dedicado mais ao combate de crimes do colarinho branco do que ao…

Cultura é o bolo e não a cereja

Quando aprendermos a valorizar a cultura, entenderemos que o investimento em segurança, saúde, educação e o combate a corrupção serão também melhorados. A cultura é a melhor resposta aos nossos problemas.Fui a um festival de corais em Maringá. Evento que já ocorre a 22 anos. Confesso, foi minha primeira vez. Penso que há muitas pessoas que já foram em muitos, alguns, poucos, na maioria. Acredito que depois desta experiência devo ir nos próximos anos. Ir ao festival me fez pensar o quanto tenho frequentado eventos culturais. Pouco, foi a conclusão. Porém, e mais que isso, fico imaginando o quanto a cultura pode nos trazer respostas. Ou mesmo, o quanto ela é a resposta para boa parte de nossos problemas. A cultura muda as pessoas. A cultura é mais que apenas o erudito, aquilo que se considera para poucos. A cultura é construção do dia a dia. Elemento fundamental que dá identidade as pessoas. Cultura é ser e entender o significado dos outros e o nosso. Os valores que prezamos, os senti…

Não há milagres

Enquanto ficarmos esperando um milagre para nos tirar da crise, nada irá mudar. Não há forças sobrenaturais que possam nos salvar. Somos o resultado de nossos vícios e virtudes. Estas são nossas matérias primas para o futuro com as quais podemos trabalhar para promover a mudança. Há que espere que tudo se resolva com o próximo eleito. Talvez, na imaginação de muitos, um iluminado. Aquele que venha redimir todos os nossos pecados. Acertar de uma vez por todas na eleição de alguém que não seja nada do que já foi e venha a ser tudo o que sempre esperamos. Pensar assim é doce, mas é um engano. Esta busca remonta as nossas origens messiânicas, bastante cristã e lusitana, chamada por antropólogos de “sebastianismo”. A espera do salvador da pátria. Aquele que ressuscitará nossa dignidade. Os portugueses, em 1580, foram anexados pelo reino da Espanha e durante 60 anos esperaram que o rei D. Sebastião, morto em batalha contra os mouros, voltasse para libertar a nação lusa. No Brasil, este ritu…

Brasil: produção improdutiva

O País improdutivo trabalha e não consegue gerar riqueza. A falta de qualificação dos trabalhadores demonstra o quanto corremos riscos e a sobrevivência dos trabalhadores no mercado de trabalho fica ameaça e sua remuneração precária em tempos de crise.


Para se ter uma ideia da condição do Brasil em relação ao potencial de produção dos trabalhadores, levando em consideração o Produto Interno Bruno (PIB), segundo o levantamento feito pelo The Conference Board, aponta que em 2015 os trabalhadores brasileiros tiveram uma queda de produtividade de 3%. Comparado com os demais países da América Latina, como o Chile por exemplo, há uma clara expressão de nossa dificuldade na capacidade produtiva, os chilenos tiveram 6%. Ainda temos um abismo que nos separa da produtividade norte-americana, que servem de referência para a pesquisa, somos 24% da produção de um trabalhador da terra do “Tio San”. Quem teve uma queda de produtividade maior que a nossa em 2015 foram os venezuelanos, 7,6%. Um dos fa…

O limite, entre cidades

Cidades conurbadas são comuns e tem problemas em comum. Há a necessidade de perceber que a administração de problemas urbanos vão além das fronteiras estabelecida pela legislação. Maringá e Sarandi são um exemplos disso. Existe limite entre cidades? Juridicamente sim. A um território que define as cidades, mas também não há. Podemos até dizer que existem muitos limites, em sua maioria invisíveis. No papel, agora, Sarandi e Maringá redefiniram seus limites. Cerca de 2 mil moradores que eram tidos como moradores de Maringá, vão mudar para Sarandi sem sair do lugar. Financeiramente, é um ganho para a Sarandi. Ela passa a ter repasses do Fundo de Participação dos Municípios com um incremento de quase R$ 3 milhões de reais, por ano. A prefeitura da cidade comemora o que pode significar mais recursos para a saúde, educação e outros gastos. Ao mesmo tempo, a câmara de vereadores aprovou um projeto do executivo em primeira discussão bloqueando a instalação de empresas de tratamento de resíd…

Dois lados da mesma questão

Governo do Estado Paraná e as universidades públicas estaduais estão em um embate. A ironia é que a transparência e defendida pelos dois lados, mas se fala da ameaça da autonomia universitária. Sem informação, como saber quem tem razão? Quem tem razão, universidades estaduais ou o Governo do Estado do Paraná? A pergunta tem uma resposta difícil de ser dada pela maioria dos brasileiros. Enquanto o Governo do Paraná, através da Comissão de Política Salarial, afirma que a implantação do Meta 4 é fundamental para padronizar e dar transparência a remuneração do funcionalismo público, as universidades alegam que o governo está querendo fazer ingerência dentro das decisões administrativas das instituições de ensino superior públicas do Paraná. A Universidade Estadual de Maringá, Universidade Estadual de Londrina e a Universidades Estadual do Oeste do Paraná não aceitam entrar no sistema de controle do governo por considerar que há possibilidade de cortes de recursos e falta de conhecimento …

Sonho que virou pesadelo

Nos tempos do pleno emprego se acreditou que a aquisição de um veículo seria possível. Manter financiamento, impostos e os gastos diários. Mas, para muitos, o sonho virou pesadelo. O pátio da 13ª Ciretran está lotado. Hoje o pátio tem 912 veículos. Só de motocicletas são 648. Alguns veículos acabam leiloados, parte deles como sucatas. Mesmo veículos novos acabam ficando no pátio e a situação não é regularizada pelos proprietários. Este retrato do excesso e da carência é uma demonstração do sonho que virou pesadelo. Parte considerável dos brasileiros adquiriram seus veículos com a ilusão de poder mantê-los. Criaram o sonho de que parcelamentos de financiamento, impostos e, até mesmo seguros, poderiam ser mantidos com a promessa econômica do pleno emprego. Agora assistimos o desmonte deste ambiente. O pátio da 13ª Ciretran é um destes lugares com imagem da fartura de pesadelos. E quanto mais o aparato de segurança faz blitz a procura de veículos irregulares, mais terá o seu pátio lotad…

A fraqueza das instituições

Enquanto a boa tese política valoriza as instituições, o que demonstra maturidade, nós vivemos de pessoas que distorcem a função institucional. As pessoas não são as instituições, temos que aprender isso.
Qual é a profundidade da crise que estamos vivendo? Ela, antes de mais nada, uma crise das pessoas e a ameaça as instituições. Os casos constantes de corrupção e relação de propina, ligada a denúncias de circulação de dinheiro ilícito para benefício pessoal e “caixa 2” são práticas constantes e comuns. Isto desgasta as instituições, faz com que se confunda o ser humano que ocupa a função e a função que ocupa. Locke, o pensador inglês, considero o pai da política liberal, valorizava as instituições. Considerava que elas estavam acima das pessoas que ocupavam os cargos. A Inglaterra que teve em sua história monarcas que eram de famílias não-inglesas. O próprio Locke participou da Revolução Gloriosa (1688) que colocou no trono inglês Guilherme de Orange, um monarca de origem holandesa.…

Estamos condenados?

Não podemos condenar o país. Ele não está predestinado ao mau caráter ou a corrupção. Nós podemos mudar. Só não podemos querer que a solução venha do mesmo lugar dos erros. Há um discurso constante da condenação pátria. Os brasileiros estão fadados a terem corruptos no poder, há o jeitinho brasileiro que nunca acaba, neste país a malandragem impera, é a terra da maracutaia. Porém, acredito e boto fé que, quanto mais se amadurece diante da verdade, nada é para sempre. A dor de amadurecer não é fácil. Ninguém constrói valores, princípios ou hábitos sem que em sua origem não exista uma dor, um trauma, uma necessidade maior, uma privação. O que faz os seres humanos melhorarem é a consciência do que são e a necessidade de uma ação. Acredito que o Brasil esteja atravessando um momento de mudança. Considero que esta é uma oportunidade histórica de aprendermos a diferença entre liderança política e casta de mandatários. A verdade desfila a nossa frente à espera de ser decifrada. Não precisam…

Política e Honestidade

A procura de alguém honesto, esta é a busca que os brasileiros estão fazendo diante da crise. Só não podemos acreditar em milagre. Não há salvador da pátria. Temos que manter o critério de saber em quem não votar. O honesto se garimpa, não se oferece. O que está mudando neste país? A pergunta requer respostas, mas antes uma reflexão. Para as coisas mudarem se faz necessário a mudança de comportamento. Não há transformação sem atitude. Daí a resposta, o país está saindo da retórica. A demagogia está perdendo terreno. Aquilo que se pregava a décadas atrás, de uma luta entre uma visão de esquerda e direita está perdendo terreno. Hoje, o que se quer é um comportamento ético. Estamos, como o filósofo Diógenes, a “procura de um homem honesto” e para isso, como o pensador grego, acendemos nossa “lanterna”. Mas encontrar um homem público honesto não pode ser missão de “Poliana”. Não adiante ficarmos a busca de um ser perfeito, aquele redentor que venha nos salvar. Temos que entender que a li…

Transporte, nem tão coletivo assim

Setor de transporte coletivo se reúne em Brasília e discute os problemas de mobilidade urbana. Perda de usuários, vias ocupadas por automóveis e custo dos impostos são os principais temas. Hoje seria dado o reajuste de 7,5% nas tarifas de transporte coletivo em Maringá. Mas a prefeitura negou o reajuste enquanto a empresa não apresentasse um plano de melhoria dos serviços. Mas qual a solução para um transporte coletivo eficiente? Em entrevista a Milton Jung, o presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha falou do endividamento do setor, 67% das empresas do setor tem dívidas. 30% delas com dívidas maior do que a arrecadação anual. Ou seja, correm sério risco de falir. Para Cunha faltam políticas públicas voltadas ao setor, falta infraestrutura. Ele considera que é preciso tirar os ônibus de uma convivência prejudicial com os automóveis nas vias públicas. O presidente da NTU apresentou dados que serão discutidos em um seminário em Brasília ho…