A fraqueza das instituições


Enquanto a boa tese política valoriza as instituições, o que demonstra maturidade, nós vivemos de pessoas que distorcem a função institucional. As pessoas não são as instituições, temos que aprender isso.

Qual é a profundidade da crise que estamos vivendo?
Ela, antes de mais nada, uma crise das pessoas e a ameaça as instituições. Os casos constantes de corrupção e relação de propina, ligada a denúncias de circulação de dinheiro ilícito para benefício pessoal e “caixa 2” são práticas constantes e comuns. Isto desgasta as instituições, faz com que se confunda o ser humano que ocupa a função e a função que ocupa.
Locke, o pensador inglês, considero o pai da política liberal, valorizava as instituições. Considerava que elas estavam acima das pessoas que ocupavam os cargos. A Inglaterra que teve em sua história monarcas que eram de famílias não-inglesas. O próprio Locke participou da Revolução Gloriosa (1688) que colocou no trono inglês Guilherme de Orange, um monarca de origem holandesa. A monarquia está acima do rei.
No Brasil, o rei absolutista manipula as normas e as instituições para se perpetuar. As famílias que compõe empresas e castas políticas se perpetuam pela manipulação das regras que desvirtuam as funções institucionais. O parlamento, por exemplo, tão caro aos ingleses, órgão maior de representação popular, no Brasil serve para blindar o “rei” presidente. Por isso, a podridão das relações do poder impede que a república parlamentar nos sirva.
Logo, a economia responde a este ambiente. Na proporção que o poder se manipula e as empresas beneficiadas pelo poder investem em manter seus representantes através de investimentos ilícitos em campanhas dos mais diferentes partidos, demonstra o quanto a instituição partidária está comprometida. Ela de nada serve, a não ser para representar os interesses dos caciques, senhores, das siglas e seus mandos e arranjos. Os candidatos não emergem das bases, são indicados, apadrinhados, beneficiados pelos donos das agremiações.
Se um dia quisermos fazer realmente uma reforma política, temos que manter as instituições e acabar com o monopólio representativo dos partidos e a manipulação das representações sociais. Valorizar mais as instituições e não as pessoas. Homens honestos deve ser uma prática e não uma exceção idolatrada, muitas vezes, da mesma forma, que o político profissional carismático e mal-intencionado.

Gilson Aguiar comenta a crise política e defende as instituições.

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