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Não há milagres

Enquanto ficarmos esperando um milagre para nos tirar da crise, nada irá mudar. Não há forças sobrenaturais que possam nos salvar. Somos o resultado de nossos vícios e virtudes. Estas são nossas matérias primas para o futuro com as quais podemos trabalhar para promover a mudança.
Há que espere que tudo se resolva com o próximo eleito. Talvez, na imaginação de muitos, um iluminado. Aquele que venha redimir todos os nossos pecados. Acertar de uma vez por todas na eleição de alguém que não seja nada do que já foi e venha a ser tudo o que sempre esperamos. Pensar assim é doce, mas é um engano.
Esta busca remonta as nossas origens messiânicas, bastante cristã e lusitana, chamada por antropólogos de “sebastianismo”. A espera do salvador da pátria. Aquele que ressuscitará nossa dignidade. Os portugueses, em 1580, foram anexados pelo reino da Espanha e durante 60 anos esperaram que o rei D. Sebastião, morto em batalha contra os mouros, voltasse para libertar a nação lusa. No Brasil, este ritual de espera persiste.
Nossos salvadores sempre foram tiros que saíram pela culatra. O discurso de bondade que os elegeram foi marcado pela promessa de atos que iriam tirar de uma vez por todas a nação de sua crise profunda, seja econômica ou ética.
Outro movimento como o salvacionismo em sua pregação por um Brasil melhor. No primeiro a busca de uma intervenção militar que coloque regras rígidas e ações duras contra os corruptos. O militarismo e sua “intolerância zero” contra os corruptos, também os comunistas durante da Ditadura Militar (1964 a 1985).
O que nunca realmente nunca fizemos foi pensar que a saída é um ato coletivo construído ao longo do tempo e sem milagres, apenas consciência. Esta condição fundamental de refletirmos sobre o que somos. Entender de onde viemos, onde estamos e projetar onde queremos chegar. Lembrando que nada se resume, seja passado, presente ou futuro, em frases prontas. Não somos fadados a malandragem, não somos um povo condenado aos vícios, só temos que entendê-los.
A formação autoritária do Estado Brasileiro, a condição em que a miséria se proliferou no país com a implantação de um poder público intervencionista e carregado de clientelismo, nepotismo, patrimonialismo. A ignorância estabelecida como uma constante e combatida apenas na retórica.
Não adiantam modelos importados, receitas prontas, salvadores. A única saída é entender o tamanho de nossas deficiências e nossas competências. A partir daí, mudar democraticamente. Não há governo que nos salve, nós somos os únicos que podemos nos salvar, é só não cair no mesmo erro de esperar um milagre e entender que o futuro é algo a ser construído e não o resultado de uma “tacada milagrosa”.

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