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Nossa formação denuncia quem somos


A formação brasileira tem peculiaridades. Entre elas a forma autoritária da formação do Estado Nacional. Ainda hoje se expressa a dependência do estado para o sucesso das empresas econômicas.
Quando falamos da formação de um Estado Nacional é preciso entender suas particularidades. Nós temos a nossa. Ser brasileiro tem peculiaridades. E as diferenças e singularidades estão desde nossa formação enquanto povo. Nossa origem de diversidade e autoritarismo.
Se por um lado na formação do povo brasileiro há um encontro entre elementos distintos. O encontro entre “brancos”, “negros” e indígenas. As formas como estes encontros se deram foi variada. De forma mais intensa ou não, as composições foram diversas.
Foi o Estado autoritário que impôs a unidade de tamanha diversidade nas diferentes regiões. O Brasil é uma colcha de retalhos costurada a linha de ferro da imposição de um poder central que garantiu o domínio sobre o território que se impôs sobre o povo.
Somos fruto do Estado autoritário, o resultado da imposição. A construção da unidade brasileira se deu pelo poder de intervenção dos administradores gerais da colônia e a transferência da corte portuguesa instalada a partir de 1808. A implantação da monarquia se perpetuou no território.
Não foi por acaso que o regime instalado pela transferência da corte, com o Rei D. João VI, manteve-se depois, com formato liberal, mas sem uma prática condizente, por quase noventa anos (1808 a 1889). Associado ao mando local dos grandes proprietários rurais, o regime monarquista encontrou um ambiente propício para unir o centralismo autoritário e o regionalismo do poder patriarcal dos grandes senhores.
Foi a elite regional que aliada ao poder central garantiu o controle da sociedade, mas também, em muitos casos, promoveu revoltas. A garantia da centralização do poder fez do país uma formação autoritária. Mesmo com a implantação do regime republicano o autoritarismo se consolidou. Mesmo na república oligárquica o regionalismo se consolidou na formação de alianças para garantir o controle sobre o poder central.
A modernização do país, a urbanização, foi acompanhada da interferência do Estado. É a Ditadura Getulista (1930 a 1945) que assume a política desenvolvimentista, fundada nos investimentos do Estado para promover o crescimento. Getúlio Vargas reedita o nacionalismo e a euforia sobre a pátria. Alimenta o civismo e impõe o culto aos valores nacionais. A nação é forjada com a interpretação oficial sobre valores culturais que, mesmo regionais, ganharam um sentido nacional.
A urbanização do país nunca resolveu sua origem agrária. Especial a escravatura, quando se encerra, deixa uma herança social amarga. A cor da pele passa a ditar enganosamente o destino das pessoas. Porém, a desigualdade se estabelece mais econômica do que “racial”. As periferias urbanas acumulam uma parte considerável da população marginal migrada da zona rural.
A modernização do país mantém a desigualdade. Apenas se concentra a riqueza para garantir a continuidade dos privilégios dados ao estado em uma descontinuidade da função econômica. Agora o país vive ambientes integrados a economia industrial e vive a modernização urbana, mas ela não é disponível a toda a população.
Ainda hoje se expressa esta desigualdade. Ela está presente na vida nacional. Nos debatemos com a possibilidade de melhora, mas as formas de organização do poder, o apadrinhamento continua. O Estado ainda tem seus sócios, favorece os aliados políticos e lhes dá privilégios. Herança amarga da formação do Estado Nacional.

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