O dinheiro sumiu


Em uma economia fundada no capital financeiro, as instituições financeiras usam da sedução ao consumo para propagar o endividamento.
Medida Provisória do governo federal dá aos comerciantes a possibilidade de cobrança com valor diferenciado conforme a forma de pagamento. Se for em dinheiro, pode ter mais desconto. Parte dos consumidores considera que a medida prejudica. O principal motivo é que o preço dos produtos pode aumentar no pagamento em cartão. Os comerciantes podem maquiar os preços e não dar desconto algum.
Já os defensores da medida afirmam que ela pode dar maior poder de compra a quem paga a vista e forçar as empresas de cartão de crédito a reduzir seus ganhos para gerar competitividade com os preços pagos em dinheiro. A livre concorrência regularia o mercado dando a ele mais competitividade.
Entre as duas posturas, eu fico com a segunda. Porém, vale algumas observações. Nós estamos iludidos com os preços que são iguais, seja com pagamento a vista, com dinheiro, cartão de débito ou crédito, parcelado ou não. Quantas vezes você já foi a compra de produtos eletroeletrônicos, por exemplo, e viu um televisor vendido a R$ 1,5 mil à vista ou parcelado em 10 vezes no mesmo valor. Cadê o juro?
Só uma criança acredita que na economia de mercado tem marmita de graça. O que há é juros embutidos nos produtos. O preço à vista desestimula e incentiva a compra a prazo. As empresas varejistas, em especial as grandes redes, são ligadas a empresas financiadoras, as bandeiras de cartão de crédito, e desejam vender financiamentos, dívidas de longo prazo.
Este é o segredo do porque a Medida Provisória do governo não fará muito efeito nas empresas varejistas de grande porte. Não podemos esquecer do tempo das “vacas cordas” quando os brasileiros abarrotados de crédito se endividaram. Até hoje, e o cartão de crédito o maior vilão do orçamento familiar. Por isso, temos que aprender a ter mais responsabilidade no consumo, comparar, exigir descontos e fazer valer o papel de consumidores responsáveis.

Gilson Aguiar comenta endividamento dos brasileiros.

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