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O limite, entre cidades


Cidades conurbadas são comuns e tem problemas em comum. Há a necessidade de perceber que a administração de problemas urbanos vão além das fronteiras estabelecida pela legislação. Maringá e Sarandi são um exemplos disso.
Existe limite entre cidades? Juridicamente sim. A um território que define as cidades, mas também não há. Podemos até dizer que existem muitos limites, em sua maioria invisíveis.
No papel, agora, Sarandi e Maringá redefiniram seus limites. Cerca de 2 mil moradores que eram tidos como moradores de Maringá, vão mudar para Sarandi sem sair do lugar.
Financeiramente, é um ganho para a Sarandi. Ela passa a ter repasses do Fundo de Participação dos Municípios com um incremento de quase R$ 3 milhões de reais, por ano. A prefeitura da cidade comemora o que pode significar mais recursos para a saúde, educação e outros gastos.
Ao mesmo tempo, a câmara de vereadores aprovou um projeto do executivo em primeira discussão bloqueando a instalação de empresas de tratamento de resíduos na cidade. O interesse é impedir o depósito de lixo de outros municípios, principalmente de Maringá. Esta é mais uma fronteira que se quer romper por alguns e se deseja manter por outros.
Contudo, parte considerável dos trabalhadores de Sarandi se deslocam para Maringá diariamente para trabalhar. A economia de Maringá é centro de atração para muitos que migram para região. O crescimento das cidades conurbadas, Sarandi e Paiçandu, acabam sendo um reflexo do crescimento de Maringá. Neste caso, não há limites ou fronteiras.
Também não há limites e fronteira para a violência. Somente na hora de responsabilizar a ação de repressão, o crime muitas vezes ocorre mais em uma cidade do que na outra. Contudo, o consumo de drogas há nos dois lugares, a renda diferente do dependente faz um estar mais sujeito a violência do que o outro. Talvez a droga gere mais lucro e consumo em Maringá, mas em Sarandi gera mais homicídios.
A integração entre as duas cidades é um sonho e um pesadelo. Porém uma verdade. A integração deveria ser mais intensa. Deveríamos estar mais atentos ao que ocorre em uma cidade e outra. É impossível resolver o problema de uma sem levar em consideração o envolvimento da outra.
Políticas de planejamento urbano, de mobilidade urbana, de combate a violência, de Saúde, etc. deveriam estar integradas, pensadas conjuntamente. Mas não estão. Preferimos, infelizmente, manter a fronteira flexível. Erguer o muro com a cidade vizinha quando nos interessa e baixa-lo quando é conveniente. Queremos apenas a solução que os moradores de Sarandi nos trazem, com seu trabalho. Mas não estamos dispostos a resolver seus problemas diários de habitação, educação, saneamento, transporte. Nestas horas é que a “fronteira” ou “limite” se eleva.

Gilson Aguiar comenta a conurbação entre Maringá e Sarandi.

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