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O Peso da Democracia


Políticos custam caro, querem mais, e representam pouco. A democracia é a melhor forma de descobrir o peso da representação e seu valor. Por isso, cabe a nós dar um basta à isto.
Claro que parece uma loucura pensar em política sem partidos. Mas de certa forma, a institucionalização dos partidos no Brasil exige medidas como esta. Não significa acabar com as agremiações partidárias da forma que as conhecemos e sim acabar com os modelos partidários que temos.
Há um monopólio do poder e de possibilidade de representatividade por causa dos partidos. Eles são verdadeiras instituições seletivas que inibem a formação de uma representação social legítima. Os caciques políticos filtram interesses dentro do partido, eliminam possibilidades de tomada do poder dos diretórios municipais, estaduais ou nacionais. Há um grupo seleto que direcionam os interesses partidários traindo até mesmo que é filiado.
Não por acaso ser um homem público é uma profissão. Estabelecer uma carreira partidária implica em fazer alianças, aceitar sujeições, costurar acordos contrários até mesmo aos princípios que os partidos anunciam em seus sites. Vale lembrar que a propaganda anunciada nas redes sociais pelas legendas e nas páginas oficiais dos partidos, quando os assuntos são as propostas e projetos para o país, não combinam com as ações de seus membros em exercício em cargos públicos.
Agora os partidos querem mais recursos, um aumento de repasses de dinheiro público, para poderem fazer suas campanhas para a eleição do ano que vem. Diante do fim do financiamento de empresas e com as denúncias de caixa dois levando os patrocinadores dos candidatos a serem investigados e até presos, o dinheiro está minguando.
Esta semana pode ser colocado em discussão, e devido ao interesse de muitos parlamentares, em aprovação o mais breve possível, o repasse para os partidos, de mais de R$ 3,5 bilhões. O senador Romero Jucá (PMDB) que ficou conhecido nacionalmente por tentar conter a Operação Lava-Jato, está à frente da proposta e a defende descaradamente. Ele não está sozinho. Os partidos (PMDB, PSDB, DEM, PSB, PP, PR e PSD) apoiam a ideia.
O Fundo Partidário já é repassado aos partidos e eles deveriam administrar melhor estes recursos. O repasse deste ano aos partidos deve ser um pouco mais de R$ 800 milhões. Diante de um país que vive dificuldades e a população “conta as moedas” para chegar ao final do mês, quando as tem. O preço da democracia brasileira é caro. Lembrando que o Fundo Partidário foi triplicado em 2015. Antes era de um pouco mais de R$ 250 milhões.
Se formos analisar o porquê de tanto dinheiro, podemos considerar que além dos excessos cometidos nas campanhas, muitos sabem o quanto custa uma “boa” campanha publicitária. O quanto é necessário ter marqueteiros que possam transformar um ser ruim em bom. O quanto custa fazer de o imprestável virar notável. O gasto que é ser divulgado e ter a imagem reformulada, reformada e distorcida para dar um polimento ou reforma geral no currículo e na estética do candidato que se transforma em produto.
Se não tivéssemos campanhas tão caras talvez um número menor de candidatos se lançassem nas campanhas, talvez tivemos novos personagens emergentes de grupos sociais mais legítimos.
Uma vez, em um evento em que estava um deputado estadual de caráter duvidoso e medíocre, representante da região, disse que os brasileiros ficam assistindo reportagens sobre os custos de políticos em países desenvolvidos, comparam com os gastos dos políticos brasileiros e que isso é uma tolice. Não é. Se há uma tolice, é a lógica do poder que sustenta a corrupção. Mas a democracia, aos poucos, resolverá isso com nossa maturidade política.
Vale lembrar que o custo do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas dos Estados é de R$ 19,8 bilhões de reais.

Gilson Aguiar comenta sobre o custo da democracia no Brasil.

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