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Transporte, nem tão coletivo assim


Setor de transporte coletivo se reúne em Brasília e discute os problemas de mobilidade urbana. Perda de usuários, vias ocupadas por automóveis e custo dos impostos são os principais temas.
Hoje seria dado o reajuste de 7,5% nas tarifas de transporte coletivo em Maringá. Mas a prefeitura negou o reajuste enquanto a empresa não apresentasse um plano de melhoria dos serviços. Mas qual a solução para um transporte coletivo eficiente?
Em entrevista a Milton Jung, o presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha falou do endividamento do setor, 67% das empresas do setor tem dívidas. 30% delas com dívidas maior do que a arrecadação anual. Ou seja, correm sério risco de falir.
Para Cunha faltam políticas públicas voltadas ao setor, falta infraestrutura. Ele considera que é preciso tirar os ônibus de uma convivência prejudicial com os automóveis nas vias públicas.
O presidente da NTU apresentou dados que serão discutidos em um seminário em Brasília hoje. Um dos relevantes na discussão do futuro do transporte coletivo é que 70% das vias públicas são ocupadas por automóveis, enquanto este modal transporta apenas 20% das pessoas.
Outro dado apresentado e que vai contra nosso senso comum é que 40% se deslocam a pé ou de bicicleta, 30% com transporte individual e 29% com transporte coletivo. Há uma redução constante do número de usuários dos ônibus urbanos. O que vai contra uma política de mobilidade urbana segura.
Em defesa também do setor, o presidente da NTU, Otávio Cunha defendeu a criação de um imposto sobre o combustível, a CIDE, Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Pelos dados apresentados por Cunha, o impacto no preço dos combustíveis seria de 6%, enquanto que a tarifa do transporte coletivo poderia ser reduzida em 30%. O impacto seria deflacionário, segundo Otávio Cunha.
Nos dados apresentados pelo setor de transporte urbano podemos considerar que estamos na contramão de uma mobilidade urbana eficiente. Os custos de um trânsito que valoriza o transporte individual motorizado, carros e motos, tem consequências desastrosas, também, para a saúde da população. A violência no trânsito tem que ser combatida. Mais ônibus, menos carros, seria uma ação neste sentido.
Por isso, mais do que focar na relação direta entre serviço de transporte e custo, há outras questões a serem consideradas. Uma delas é uma política de desestímulos ao uso de automóveis. Impostos como a CIDE, na lógica defendida pelo presidente da NTU seria uma solução.

Gilson Aguiar comenta o transporte urbano.

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