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Mostrando postagens de Julho, 2017

No raso se perde a profundidade dos fatos

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Temer sobreviverá. Ele vai chegar ao final de seu mandato. Ele conhece a lógica do poder. Nós, os eleitores, fazemos parte dela, mas somos marionetes, não temos o comando da lógica que sustenta os desmandos e corrupção. É preciso mudar isso.  Michel Temer deve conseguir manter-se no poder até o final do mandato. Pelo menos, se depender da votação que deve ocorrer na Câmara de Deputados esta semana. O presidente fez um longo e árduo trabalho de sedução, cobrança e compra de votos a seu favor. Deputados molharam as mãos de recursos, e sabe-se mais lá o que, para favorecem o presidente. A denúncia do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, não deve avançar. Bom lembrar que Janot sai do cargo ainda este ano. As coisas estão melhorando para o presidente que conta com o maior índice de impopularidade da história do país. Para a maioria dos brasileiros, que não gostam dele, piora. Atrelar o ambiente político ao econômico tem sido o discurso que favorece os defensores do presidente cor…

Nosso maior erro

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A mania de comparar o Brasil com outros países é irritante. Esconde e nos desobriga de olhar para nossos hábitos questionando suas origens. Aprender o que nos fez, de onde viemos e o berço de nossos vícios, não nos dá o peso de nossa singularidade incomparável.  Os brasileiros têm maus hábitos. Sim, mas quase todos os povos têm. As comparações do que nós somos com outros países é algo que me incomoda. Temos sempre o padrão alheio como medida de nossos méritos de desmerecimentos. O jardim do vizinho é sempre mais bonito. Somos o que somos, não se compara a originalidade com ninguém. Deve-se entender. (Para ouvir mais clique aqui). Quando era pequeno via meus pais comparem os filhos com os rebentos alheios. Nunca fomos vistos e revistos, analisados, elogiados ou condenados por atos que dizem respeito a nós e nossas origens. Se esquece que o que faz o hábito é o ambiente. Sempre se condena a atitude e não se pensa na origem. Nosso mau comportamento tem berço. Inclusive pai e mãe. Se temo…

Melhorando, em meio a crise

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Estamos vivendo uma crise, mas em um ambiente democrático. Por isso, vamos melhorar. Não estamos tendo um número maior de problemas, mas estamos cientes dos problemas que temos. Estamos sempre fazendo críticas a tudo. O governo é sempre o principal alvo.  Também criticamos o mau comportamento do cidadão, os excessos de empresas, a falta de educação e o excesso de violência. Porém, é sempre bom lembrar, as coisas estão mudando. O país vive uma série de denúncias nos meios de comunicação. Agora, em meio aos escândalos, aparece sempre alguém querendo fazer uma delação premiada. A notícia traz a certeza que teremos novidades e mais denúncias envolvendo quem antes se sentia intocado. Os que estão no governo, grande parte, está em descrédito. São inúmeros os governadores estaduais que são rejeitados em pesquisas pela população. Quanto ao presidente da república não se precisa comentar, ele é a indigestão em pessoa. Tem o pior índice de um presidente da república da nossa história. Mesmo e…

Veículos e vícios urbanos

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Em grandes cidades o número de veículos aumentam. Não há mais espaço para tantos automóveis. Eles ocupam um território que poderia ser utilizado com mais racionalidade pelo transporte coletivo. Mas há a idolatria do veículo particular. É preciso agir. O uso do transporte coletivo é exaltado constantemente como solução para desafogar o trânsito nas grandes cidades do país. Reduzir o numero de veículos, carros e motocicletas, passa por um transporte coletivo eficiente. Mas como transformar a retórica em fato. Um dado preocupante neste primeiro semestre do ano, o crescimento da frota de veículos em algumas das grandes cidades do Paraná, Maringá e Londrina. Em Curitiba, a frota diminui. Mas crescendo ou diminuindo, nada que ultrapasse 1%, para mais ou para menos. A frota que cresce já não tem mais onde ser colocada. Por uma lei simples da física, dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Imagine aos milhares. Em Maringá, por exemplo, enquanto a cidade tem 403 mil habitantes, o número …

As aparências enganam, ou não?

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É diante do espelho que o Brasil descobre suas origens. Por mais que ao longo do discurso oficial de nossa formação se negue. Somos a mistura, somos o encontro, somos a miscigenação. Resistências existem a esta certeza, mas nossa pele e nossos hábitos denunciam de onde viemos, da maravilhosa mistura e impureza mais "pura". O Brasil é tido como um país aberto às diferenças. E deveria ser mesmo. Nós somos o fruto das migrações e dos encontros. Nossa formação enquanto povo é marcado pela miscigenação. Somos mulatos, caboclos, mamelucos, enfim, somos a mistura como regra. Entre nós a pureza é exceção. O convívio com a diversidade formadora nunca foi tranquila. Miscigena-se, se pratica a sexualidade intensa entre os povos que nos deram origem, mas na retórica oficial a busca pelo branqueamento foi constante. A ironia é que a nossa formação nega esta busca de ser uma extensão da Europa. Os modelos importados sempre tropeçaram no que somos como história e negam o que idealizamos …

Locke tem razão

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A tradição de se valorizar o executivo e não se ater a quem colocamos no legislativo tem um preço nefasto. Agora, no caso Temer, estamos percebendo qual o papel do parlamento. Que as próximas eleições traga mais responsabilidade na escolha dos deputados. O pensador inglês do Século XVII defendia o poder legislativo como o mais importante. Ele representa o poder da sociedade, da massa, do povo. Para Locke, o legislativo se aproxima da vontade popular. Segundo ele, o parlamento deve estar acima dos poderes executivo e judiciário. Contudo, defendia que os deputados devem ser convocados apenas em momentos de crise. Terminada sua necessidade, deveria voltar para suas funções na sociedade. Claro que o parlamento de Locke é bem diferente do nosso. O inglês viveu a representatividade partidária, das agremiações, e sua supremacia sobre seus membros. No Brasil a sigla é “cuspida e escarrada”, é apenas meio e não sentido. Vale pouco. O modelo inglês leva em consideração a coerência de uma sigla…

A solução silenciosa... como um café literário

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A cultura não é a "cereja do bolo" é o bolo. Ela é a principal resposta para nossos problemas. Não adianta sair a busca de um milagre, a mudança está na cultura, no que cultuamos, no que dá sentido a vida. Um jovem de 24 anos, Reinaldo Júnior, desafia a lógica do lugar e inicia uma solução em meio onde alguns só enxergam problemas. Em Sarandi, o estudante de Educação Física que deseja ser escritor e faz um ato empresário pelo bem da leitura. Une um empreendimento, com um ato civilizador. Mistura café com livro. A cafeteria tem sofá, tem música, tem livro e tem um ambiente de exaltação a cultura. Na reportagem de Luciana Peña, pessoas relatam a experiência no ambiente. Gostam de ficar curtindo os livros em um lugar onde tudo se volta a eles como personagens principais. Na sociedade do descarte, da idolatria ao objeto de consumo que valoriza a estética ou a campanha publicitária lhe dá mais sentido que a realidade, o jovem que ama a leitura aposta na melhora do ser humano.  E…

Capitalismo falsificado

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A relação perniciosa entre empresas e poder público vem de longa data, da formação do Estado Nacional, na organização da máquia pública. Empresa que vendia produtos falsos para a prefeitura de Maringá é apenas mais do mesmo. Produtos de limpeza comprados pela Prefeitura de Maringá são falsificados. A desconfiança surgiu com o uso dos produtos pelos funcionários que desconfiaram da falta de eficiência na ora do uso e, também, por características no rótulo. Como são produtos de limpeza, eles são fundamentais para creches, escolas e hospitais do município. O álcool, por exemplo, é usado para a esterilização de ambientes e equipamentos. Em um novo lote entregue pela empresa, a Polícia Militar foi acionada e pegou em flagrante os produtos sem descarregados. Um deles tinha uma data de fabricação futuro, agosto. O que o representante de prefeitura considerou um erro grotesco de falsificação. São mais de 18 mil produtos entregues. O poder municipal vai suspender o contrato com a empresa, inc…

Sonegação e sonegadores

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Na relação viciada entre o Estado excessivo, tributarista, e a sonegação do cidadão, ninguém sabe quem educou quem ao mau comportamento. A história denuncia os vícios. A tradição de sonegar fez herdeiros e heranças.  Estamos diante de uma crise. Nenhuma novidade. Mas o que podemos tirar como parâmetro para medi-la é o endividamento de empresários com a Receita Federal. Empresas de grande, médio, pequeno e micro porte, mesmo os Microempreendedores Individuais (MEIs) estão com tributos atrasados. Em média, 50% tem algum endividamento com o poder público em atraso. O governo lançou refinanciamento de dívidas para as empresas. Algumas podem fazer o parcelamento de débitos em atraso em até 120 meses. Enquanto a União busca arrecadação, as empresas buscam sobrevivência. Uma coisa está ligada diretamente com a outra. A crise política que estamos atravessando não melhora a situação, piora. Saber que representantes públicos estão envolvidos em crime de corrupção desestimula muitos empresári…

Mundo Paralelo

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A violência é crônica no Brasil. Vivemos uma guerra permanente. Porém, muitos atos de agressão não estão associados somente as comunidades marginais. Os filhos do excesso também cometem atos de violência na mesma proporção. Um adolescente de 14 anos roubou um carro em uma loja, colidiu com outros dois veículos estacionados, bateu na mureta de proteção de um semáforo e foi detido por populares. Que cena! Mas ela não é estranha. Filhos das classes mais abastadas costumam cometer este tipo de acidente. Talvez não roubem o carro de um estranho, quase sempre se envolvem em acidentes com o carro dos pais. Neste caso relatado, o menor era pobre, típico elemento da periferia, com 40 passagens pela polícia e confessa abertamente que começou no crime com 10 anos. Quando foi detido, ameaçou populares, o que sabe fazer bem, apesar de analfabeto. A forma como encara o crime, com um profissionalismo absurdo, assusta. Se entendesse de matemática, português, história ou inglês com a mesma desenvolt…

O encontro com o conhecimento

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A quanto tempo se fala da importância do conhecimento científico e técnico para a construção de uma sociedade melhor? Agora, a UEM está colocando pesquisas e trabalhos de extensão na praça pública. Isto é bom e faz uma grande diferença em defesa da educação. A Universidade Estadual de Maringá está desenvolvendo uma política de divulgação dos seus trabalhos acadêmicos. Em praças públicas professores e alunos, apresentam suas pesquisas, seus trabalhos de extensão. Parabéns a UEM! Isto é uma academia que quer se aproximar da população. Acredito, inclusive, na implantação de um calendário de eventos anuais de divulgação de trabalhos, palestras gratuitas e apresentação de experiências, pesquisas, quando possível. A universidade deve ser mostrar a comunidade. É hora de a população conhecer o que há de qualitativo na produção acadêmica e o quanto isto afeta a vida do cidadão comum. Quantos projetos podem ganhar o mercado. Falta divulgação, também, para a comunidade de empresários. A ponte e…

Política de “tapete de ovos”

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Vivemos a política da incerteza. Um ano antes das eleições, nenhum pré-candidato ousa assumir alianças, falar abertamente sobre sua candidatura. Osmar Dias é um exemplo. Prestigiou o irmão Álvaro, o seu novo partido, o Podemos, mas não se filiou. Estamos vivendo um momento político estranho, diria que inédito. Um ambiente forrado por um “tapete de ovos”. Quem pisar mais fundo pode se dar mal e quebrar suas bases de sustentação, se é que há alguma neste ambiente de incertezas. A Operação Lava-Jato, as denúncias de governos envolvidos em atos ilícitos, as acusações sobre o presidente Michel Temer, tudo conspira a favor do medo. Todos os que antes já estaria se lançando como pré-candidatos e apresentando alianças agora se calam. Ninguém quer se comprometer. Um dos exemplos da insegurança em pleno ano pré-eleições é a disputa pelo Governo do Paraná. Osmar Dias, um dos pré-candidatos, esteve em Curitiba para o lançamento do partido do Irmão, Álvaro Dias, o Podemos. Há a expectativa do in…