Pular para o conteúdo principal

Mundo Paralelo


A violência é crônica no Brasil. Vivemos uma guerra permanente. Porém, muitos atos de agressão não estão associados somente as comunidades marginais. Os filhos do excesso também cometem atos de violência na mesma proporção.
Um adolescente de 14 anos roubou um carro em uma loja, colidiu com outros dois veículos estacionados, bateu na mureta de proteção de um semáforo e foi detido por populares. Que cena! Mas ela não é estranha. Filhos das classes mais abastadas costumam cometer este tipo de acidente. Talvez não roubem o carro de um estranho, quase sempre se envolvem em acidentes com o carro dos pais.
Neste caso relatado, o menor era pobre, típico elemento da periferia, com 40 passagens pela polícia e confessa abertamente que começou no crime com 10 anos. Quando foi detido, ameaçou populares, o que sabe fazer bem, apesar de analfabeto. A forma como encara o crime, com um profissionalismo absurdo, assusta. Se entendesse de matemática, português, história ou inglês com a mesma desenvoltura com crime, seria elogiado.

O menor demonstra potencial, gasto com o crime. Afinal, foi neste meio que aprendeu a buscar a ascensão, o respeito e conseguir o que grande parte de nós deseja para os filhos, sucesso. Contudo, na sociedade paralela, a vitória não tem o mesmo sentido que na nossa sociedade.
O que mais amo na democracia é a possibilidade de se entender o que são as sociedades marginais, como elas se formaram. A desigualdade e a marginalização não vêm de hoje neste país, ela é histórica. A miséria para algumas famílias não é condição temporária, mas sim crônica. Viver em ambiente de risco não é acaso e sim predestinação.
Muitas das periferias urbanas, e aqui em Maringá temos muitas, algumas nas cidades conurbadas, elas já demonstram sua perpetuação. Já fazem do que nós desejamos combater seu ambiente natural. Este fosso está aumentando.
Para ouvir o comentário sobre o tema, clique aqui.
Não quero aqui considerar que o adolescente que provocou o acidente após roubar um carro, com mais de 40 passagens na polícia, é um inocente, não é. Tem culpa. Mas ele não se considera alguém que nossa sociedade que se diz justa e legal pode julgar. O seu estímulo não é ser aceito por nós, mas sim pelos pares que habitam sua vida marginal.
Como muitos dos filhos das pessoas de renda, chamados de “gente de bem”, comete atrocidades no trânsito e coloca a vida de muitos em risco. Não aparecem nas manchetes dos jornais, são encobertos pela cumplicidade de seus pais que buscam comprar o silêncio.
Porém, esta sociedade paralela, alimentada pelo crime organizado, cresce. Cria suas próprias regras e não teme nossos aparatos de segurança, nossas normas e julgamentos. O engraçado que os filhos dos excessos, dos abastados também não temem. A ironia é que um pratica a ousadia por nada ter a perder e o outro por tudo poder comprar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Paraná não é Maringá

Alimento pela cidade que eu nasci um imenso carinho. Maringá é uma cidade que se fez e se faz. Há realmente um espírito associativo. Ele é ligado ao meio privado, empresarial. Isto é fato. Mas tem um estímulo de organização e representação eficiente. O que faz de Maringá uma cidade diferente. E ela é. Em diversos índices a cidade está entre as melhores do país. Potencial de consumo, o qual é retratado pelo Anuário a Grande Região de Maringá, divulgado a cada dois anos pelo Grupo Maringá de Comunicação. Ele comprova isso. Os dados são levantados pelo IPC Maps. Lembrando que o Produto Interno Bruto da cidade cresce mesmo quando o país não.
O Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, o Codem, tem investido no planejamento em longo prazo. Agora, o Masterplan aponta para um crescimento até 2047, quando a cidade irá fazer 100 anos. Até agora, o planejamento teve um investimento de R$ 1,5 milhão. E vale a pena. Há muito mais por vir. E ele não tem custo para o poder municipal. O qua…

STF pode fazer justiça e ser inconstitucional

Não se pode ser ingênuo. O país vive uma legislação apartada da população. Para quem a lei vale? Não para todos. E se vale, as brechas na lei somente para alguns. A defesa dos réus permite a liberdade de quem pode recorrer. O julgamento do ex-presidente Lula não é um caso isolado, tem que ser entendido na histórica desigualdade de tratamento pelo poder em relação ao cidadão. A Constituição Federal, humana, permite desumanidades. No país teve inúmeras manifestações contra o ex-presidente Lula, na defesa da prisão em segunda instância e em defesa da Lava-Jato. O país clama por justiça. Mas o que é justo? Quando se pensa na corrupção dos homens públicos e os que deveriam ser presos a injustiça é maior. Para ouvir comentário sobre o tema, clique aqui. O dinheiro desviado por corrupção tira dos cofres públicos recursos vitais para salvar da miséria e da marginalidade muitos. Destes, os que acabam se transformando em bandidos e são presos sem dinheiro para recorrer a todas as instâncias. Q…

Conservadorismo não é nazismo

Vivo em defesa do bom liberalismo e dos bons conservadores. Me incomoda profundamente um país que confunde conservadores com extremismo e neonazismo. Esta defesa do extermínio, da perda de liberdade, da violência que combate a violência. Nada disso tem relação com a conservação das instituições, das leis e da liberdade. Há uma confusão entre a preservação das instituições e o radicalismo que prega o extermínio da oposição ou de tudo o que se opõe. Na limitação de compreender a dinâmica do poder e que fundamenta nossas mazelas, há os radicais que consideram a destruição a melhor saída. Não é! A ousadia é mudar dentro do que se tem de mais precioso, a democracia.
Incrível perceber que radicais desejam o retorno da ditadura. Ao mesmo tempo há os que defendam a eliminação dos políticos de esquerda e, outros, até da própria esquerda. A implantação de um governo autoritário é típica da pobreza submissa do latino-americano. Faz parte das raízes de um continente governado por caudilhos, noss…